Uma equipe de astrônomos observou uma intensa explosão de luz resultante da destruição de uma estrela por um buraco negro supermassivo, cuja massa é aproximadamente um milhão de vezes a do Sol. Este fenômeno, denominado evento de perturbação de maré (ou TDE, na sigla em inglês), foi captado por telescópios terrestres e recebeu a designação de AT2024tvd. As descobertas foram publicadas na revista científica The Astrophysical Journal Letters e estão acessíveis no arXiv desde o final de abril.
Conduzida pelo astrônomo Yuhan Yao, a pesquisa revelou que o buraco negro que causou a destruição da estrela é um “nômade”, pois foi localizado fora do núcleo de sua galáxia. Essa característica é rara, uma vez que buracos negros tendem a estar situados no centro galáctico.
“O evento AT2024tvd é o primeiro registro de uma interrupção de maré obtido por meio de levantamentos ópticos do céu, o que abre novas possibilidades para a identificação dessa população difícil de detectar de buracos negros errantes em futuras investigações celestes”, comentou o cientista da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos.
A detecção de buracos negros em regiões remotas do espaço é um desafio, especialmente em outras galáxias, pois esses objetos não emitem radiação. Assim, as ferramentas tradicionais de observação se mostram menos eficazes. A descoberta foi viabilizada pelo clarão de luz gerado durante a destruição de uma estrela pelo buraco negro.
O evento foi registrado em 25 de agosto do ano passado pelo Zwicky Transient Facility, um projeto que utiliza um telescópio de 48 polegadas em um observatório na Califórnia para monitorar o céu noturno.
Ocorrendo em uma galáxia a cerca de 600 milhões de anos-luz da Terra, fenômenos desse tipo podem auxiliar na localização de buracos negros que, de outra forma, permaneceriam ocultos, especialmente aqueles que não estão ativos ou emitindo radiação.
“Os eventos de perturbação de maré são extremamente valiosos para revelar a existência de buracos negros massivos que, de outro modo, seriam indetectáveis. Teóricos sugerem que deve existir uma população de buracos negros massivos distantes dos centros galácticos, e agora podemos utilizar EDTs para localizá-los”, afirmou o astrônomo e coautor do estudo, Ryan Chornock, também da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Fique por dentro das novidades em Saúde e Ciência seguindo nossa editoria no Instagram!
Receba atualizações sobre Saúde e Ciência diretamente no seu WhatsApp. Acesse o canal de notícias do Metrópoles no WhatsApp para mais informações. Para mais sobre ciência e nutrição, confira todas as matérias da área de Saúde.