Com a chegada da temporada de chuvas, as nuvens de tempestade, conhecidas como cumulonimbus, se formam devido à combinação de calor e umidade. O atrito entre as partículas de água e gelo dentro dessas nuvens provoca o acúmulo de cargas elétricas. Quando esse equilíbrio é rompido, ocorre a descarga atmosférica, ou seja, os raios. Esses fenômenos são monitorados por radares meteorológicos e informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que ajudam a prever riscos para a população.
Os raios apresentam riscos diferentes nas áreas urbanas e rurais. Nas cidades, podem danificar equipamentos, provocar incêndios e causar estragos em construções desprotegidas. Já nas zonas rurais, as fatalidades tendem a ser mais comuns, pois muitas atividades são realizadas em espaços abertos ou perto de árvores isoladas e estruturas metálicas. Em ambas as situações, é essencial saber como se proteger para evitar prejuízos.
A Defesa Civil recomenda que, ao perceber sinais de tempestade — como nuvens escuras, ventos fortes ou trovões —, as pessoas busquem abrigo em locais seguros. Antes da chuva, é aconselhável acompanhar a previsão do tempo, limpar calhas e ralos, podar árvores que possam representar risco e preparar lanternas e pilhas para o caso de falta de energia. Ao se deslocar, é prudente considerar rotas alternativas para evitar deslizamentos de terra.
Durante a tempestade, o ideal é permanecer em um ambiente fechado, desconectar aparelhos da tomada, evitar o uso de torneiras e portas metálicas, além de não utilizar telefones fixos. Em situações de enchente, recomenda-se elevar móveis, proteger documentos e evitar o contato direto com a água.
Em áreas abertas, o perigo é elevado. Em locais como praias, piscinas, rios ou campos, a cabeça de quem está exposto se torna o ponto mais alto, aumentando as chances de ser atingido por um raio, conforme alerta a Defesa Civil.
Para os motoristas, o engenheiro de energia Rodrigo Porto explica que veículos fechados oferecem proteção, funcionando como estruturas que dissipam a descarga elétrica.
Após as chuvas, as casas afetadas por alagamentos devem ser limpas e desinfetadas, utilizando luvas e botas, pois a água de poços ou fontes naturais pode estar contaminada. Quanto à proteção das edificações, é fundamental que os sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), conhecidos como para-raios, estejam em bom estado. Esse sistema capta a energia da descarga e a conduz de maneira segura para o solo. Após quedas diretas de raios ou a instalação de antenas e painéis solares, é aconselhável que o sistema seja revisado por profissionais qualificados. Rodrigo Porto ressalta que, mesmo com um para-raios eficiente, surtos de tensão podem afetar eletrodomésticos.
A Defesa Civil opera com um sistema de alertas em três níveis: amarelo (perigo potencial), laranja (perigo alto) e vermelho (grande perigo). Para receber alertas personalizados, basta enviar o CEP para o número 40199. Em situações de emergência, os contatos são 193 (Corpo de Bombeiros) e 199 (Defesa Civil).
Caso alguém seja atingido por um raio, é fundamental agir rapidamente. Não há risco em tocar a vítima, pois a carga já se dissipou. A orientação é chamar o SAMU (192) ou os Bombeiros, verificar a respiração e o pulso e, se necessário, iniciar a reanimação cardiopulmonar. Queimaduras, fraturas e lesões internas podem ocorrer, exigindo avaliação médica imediata.
A Defesa Civil enfatiza a importância da rapidez na ação: “A maioria das mortes acontece devido à parada cardíaca ou respiratória. A reanimação nos primeiros minutos aumenta significativamente as possibilidades de sobrevivência”.
Durante períodos de chuva com raios e descargas elétricas, estar bem informado, prevenir-se e ficar atento aos sinais climáticos são as melhores maneiras de evitar acidentes. Evitar áreas abertas, respeitar os avisos meteorológicos e buscar abrigo seguro são as ações mais eficazes para garantir a segurança das pessoas.
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