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Quase 29 milhões de mulheres brasileiras vivenciaram episódios de violência nos últimos 12 meses, aponta pesquisa

Dados do Mapa Nacional de Violência de Gênero revelam que aproximadamente 29 milhões de mulheres no Brasil enfrentaram algum tipo de violência doméstica ou familiar ao longo do último ano. Destes, cerca de 24,97 milhões relataram situações concretas de violência, embora muitas delas não tenham reconhecido ou nomeado esses episódios como violência de forma espontânea. A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, conduzida pelo DataSenado em parceria com a Nexus, apresenta um panorama que evidencia a discrepância entre a vivência das vítimas e os registros oficiais, apontando para uma subnotificação significativa.

A pesquisa aponta que apenas 4% das brasileiras afirmaram, de forma espontânea, ter sofrido violência doméstica ou familiar no período anterior. No entanto, ao serem questionadas sobre episódios específicos de violência, sem que o termo fosse mencionado na pergunta, esse percentual sobe para 33%, o que equivale a cerca de 29 milhões de mulheres. Ainda assim, uma parcela expressiva dessas vítimas — aproximadamente 87%, ou seja, mais de 24 milhões de mulheres — não reconhece ou não nomeia esses episódios como violência, dificultando o acesso a mecanismos de proteção e acolhimento.

Outro dado relevante revela que, entre as mulheres que admitiram ter sofrido violência, 1,87 milhão não procuraram delegacia, o telefone de denúncia Ligue 180 ou o 190, indicando uma forte barreira na busca por ajuda. Quando somados às vítimas que vivenciaram episódios sem reconhecer a violência, o total de mulheres que permanecem fora do alcance das políticas públicas de proteção chega a 26,84 milhões, representando 93,6% do total de vítimas. Essa discrepância evidencia que os registros administrativos, embora importantes, não refletem a real dimensão do problema, uma vez que muitos casos permanecem invisíveis às instituições de segurança, saúde e justiça.

O levantamento também indica variações regionais, destacando que Alagoas é o único estado em que a proporção de mulheres que vivenciaram violência sem reconhecê-la supera a média nacional, atingindo 36%. Amazonas, Acre e Tocantins seguem na lista, com 35%, 34% e 34%, respectivamente. Outros estados apresentam percentuais menores, como Santa Catarina, com 35%.

Segundo Beatriz Accioly, gerente de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra as Mulheres do Instituto Natura, esses dados demonstram que o problema é mais grave do que os registros oficiais sugerem. Ela destaca que muitas mulheres vivem situações de violência sem identificá-las como tal, o que amplia a necessidade de ampliar o acesso a serviços de proteção e atendimento especializados.

A pesquisa revela ainda que 69% das mulheres que relataram violência doméstica por parte de um homem afirmaram que esses episódios afetaram sua rotina diária. Os impactos variam regionalmente, com o Tocantins apresentando o maior índice (78%) e Pernambuco o menor (58%). Além disso, a vulnerabilidade econômica aparece como fator relevante, já que 56% das mulheres vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos. Essa condição é mais acentuada no Maranhão e em Sergipe, com 74%, enquanto Santa Catarina apresenta uma proporção de 35%.

Outro dado preocupante aponta que, na maioria dos casos, o agressor é o marido ou companheiro da vítima, representando 62% do total. No Acre, esse percentual sobe para 73%, enquanto no Distrito Federal fica em 48%. Esses números reforçam a predominância da violência no ambiente familiar e a dificuldade de enfrentamento dessa realidade, muitas vezes silenciada ou não reconhecida pelas próprias vítimas.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade