Durante uma nova sessão na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, apresentou as razões pelas quais o governo Lula se opõe ao desejo dos Estados Unidos de classificar grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas. Entre os argumentos, o chanceler destacou a importância da soberania nacional e uma decisão do Congresso que impede a administração federal de seguir os passos do ex-presidente Donald Trump.
Na audiência, Vieira reiterou a posição oficial do governo e alertou que tal classificação poderia criar precedentes para intervenções militares estrangeiras no Brasil. De acordo com o ministro, rotular esses grupos como terroristas poderia “justificar a intervenção militar”, como a invasão do país com o intuito de “eliminar” ameaças à segurança nacional dos EUA.
As declarações do chanceler vieram à tona meses após a intensificação da presença dos EUA na América Latina, que, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas, incluiu cartéis venezuelanos na lista de organizações terroristas, o que poderia abrir caminho para ações militares visando a captura de Nicolás Maduro, acusado de vínculos com o narcotráfico.
Vieira também destacou que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) não se encaixam na Lei 13.260, que define terrorismo no Brasil como atos motivados por ideologias, políticas ou preconceitos. Tais organizações, segundo o chanceler, focam exclusivamente no lucro proveniente do crime.
O ministro ainda relembrou uma decisão recente da Câmara, onde foi aprovado o PL Antifacção, que busca endurecer a luta contra facções brasileiras. Contudo, apesar das pressões de partidos da oposição, o texto final não incluiu a equiparação desses grupos a organizações terroristas.
Mauro Vieira enfatizou que o governo brasileiro está em busca de parcerias internacionais para enfrentar o crime organizado transnacional. Ele mencionou uma proposta apresentada por Lula a Trump durante um encontro na Malásia no ano passado, a qual ainda está sob análise pelos EUA.
A expectativa é que esse tema seja discutido durante a visita de Lula a Washington, onde ele se encontrará com Trump, embora a data do encontro ainda não tenha sido definida devido ao conflito entre EUA, Israel e Irã.