Recentes pesquisas de opinião divulgadas esta semana acenderam um sinal de alerta no círculo próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), evidenciando os desafios que ele enfrentará na corrida pela reeleição em outubro. Dados da Paraná Pesquisas e da AtlasIntel indicaram que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está numericamente à frente do atual presidente em simulações para o segundo turno.
Essas sondagens confirmaram uma tendência observada em levantamentos anteriores, onde o candidato bolsonarista parecia ganhar força. Em resposta a esse cenário, aliados de Lula estão articulando uma estratégia de reação. Dirigentes do Partido dos Trabalhadores propõem uma ofensiva para desgastar a imagem de Flávio, enquanto buscam promover pautas positivas que possam elevar a popularidade de Lula.
Essa abordagem foi defendida publicamente pelo presidente do PT, Edinho Silva, durante uma reunião da corrente majoritária do partido, a Construindo Um Novo Brasil (CNB), na última sexta-feira (27/2). O político admitiu a dificuldade do partido em se comunicar com a sociedade brasileira, o que contribui para o crescimento de seu adversário.
Os aliados do presidente defendem uma campanha robusta para enfraquecer Flávio, com o intuito de expor suas ligações com o Centrão e a milícia do Rio de Janeiro, além de resgatar escândalos de seu passado, como o caso das “rachadinhas” durante seu mandato como deputado estadual. Essa estratégia inclui a mobilização da militância tanto nas ruas quanto nas redes sociais.
Por outro lado, assessores de Lula estão focados em promover pautas positivas para recuperar a popularidade do presidente antes das eleições. Entre as medidas prioritárias estão a aprovação do fim da jornada de trabalho 6×1, a proposta de tarifa zero no transporte público e a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil.
Essa última medida foi implementada em 1º de janeiro, mas ainda não apresentou resultados significativos na avaliação do governo. O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, acredita que os efeitos da isenção começarão a ser percebidos nas pesquisas nos próximos meses.
“Sentimos que o trabalhador e a classe média, que são os principais beneficiados pela isenção, estão enfrentando dificuldades financeiras com as despesas de fim de ano, Carnaval, férias, matrícula escolar, IPTU, IPVA e planos de saúde. Talvez os efeitos da isenção do Imposto de Renda comecem a ser sentidos a partir de março ou abril”, comenta.
Outra proposta que ganhou destaque recentemente é a criação de um “SUS do Transporte Público”, que visa reestruturar o financiamento do setor de mobilidade para possibilitar a gratuidade universal do serviço. O PT planeja incluir essa ideia em seu programa de governo para as próximas eleições. O Ministério da Fazenda também está analisando a viabilidade da implementação da tarifa zero.
Adicionalmente, uma proposta popular que deve avançar nos próximos dias é a eliminação da jornada de trabalho 6×1, que foi apoiada pelo governo e recebeu o endosse do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em entrevista ao Metrópoles, o parlamentar afirmou que pretende levar essa matéria à votação no plenário em meados de maio.