A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) recorreu a um avançado software de investigação forense, originário da França, para identificar o responsável pelo brutal ataque que resultou na morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. Os detalhes foram revelados no inquérito finalizado nesta terça-feira (3/2), que integrou evidências técnicas, gravações de câmeras de segurança e depoimentos para esclarecer o ocorrido.
Segundo informações da corporação, a ferramenta foi utilizada para rastrear a localização do autor no momento do crime. Este incidente levou ao pedido de internação de um adolescente e ao indiciamento de três adultos por coação de testemunhas.
Os indivíduos acusados da morte de Orelha enfrentam as penalidades previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Após as agressões ao cão, uma hashtag se espalhou nas redes sociais, mobilizando internautas em apoio à causa.
O software utilizado pela PCSC é o Mercure V4.2, desenvolvido pela empresa francesa Ockham Solutions/ChapsVision. Esta tecnologia é amplamente utilizada por agências de segurança para investigações forenses e inteligência policial, permitindo cruzar grandes quantidades de dados telefônicos, fazer extrações de celulares, geolocalizar e analisar metadados.
Além disso, a ferramenta facilita a visualização de dados em mapas, gráficos e perfis de comunicação, auxiliando na reconstrução de movimentos e conexões.
Conforme um comunicado da Polícia Civil, os investigadores também revisaram mais de mil horas de filmagens de 14 câmeras localizadas na área, ouviram 24 testemunhas e investigaram oito adolescentes suspeitos. Entre as evidências coletadas, estão as roupas que o autor usava no dia do crime, capturadas pelas câmeras.
A investigação revelou que o adolescente saiu do condomínio onde estava hospedado às 5h25 e retornou às 5h58, na companhia de uma amiga. Inicialmente, ele alegou ter permanecido no local, mas essa versão foi refutada pelas filmagens e outros elementos coletados, evidenciando uma contradição significativa no inquérito.
Após a identificação dos suspeitos, o adolescente deixou o Brasil no mesmo dia em que a polícia intensificou a investigação, permanecendo fora do país até 29 de janeiro. Ao retornar, foi interceptado no aeroporto.
Com a finalização do inquérito, os casos Orelha e Caramelo foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário. No caso do cão Caramelo, quatro adolescentes foram responsabilizados por maus-tratos, e, por se tratar de menores, os processos estão sob segredo de Justiça.
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