No decorrer dos três primeiros anos de seu terceiro mandato, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou R$ 7 bilhões em viagens a trabalho, conforme dados do Portal da Transparência analisados pelo Metrópoles. Esse valor abrange os gastos de ministérios e órgãos federais, excluindo as viagens realizadas diretamente pelo presidente.
Esse montante de R$ 7 bilhões, dispendido desde 2023, supera o total gasto nos seis anos que precederam a nova gestão de Lula, entre 2017 e 2022. É importante destacar que, durante os anos de 2020 e 2021, as limitações impostas pela pandemia de Covid-19 resultaram na redução das viagens e, consequentemente, nas despesas associadas.
A seguir, confira a evolução anual dos recursos utilizados em viagens a serviço do governo federal:
No total desembolsado em 2025, a maior parte foi destinada a deslocamentos dentro do Brasil. O levantamento indica que as viagens nacionais somaram R$ 2,079 bilhões, enquanto as internacionais ficaram em torno de R$ 276 milhões.
Entre os órgãos com os maiores gastos, o Ministério da Justiça e Segurança Pública lidera o ranking, com R$ 396 milhões gastos em 2025. Em seguida, estão os Ministérios da Defesa (R$ 311 milhões), Educação (R$ 304 milhões) e Meio Ambiente e Mudança do Clima (R$ 126 milhões).
Em comunicado, o Ministério do Meio Ambiente esclareceu que o valor empenhado — ou seja, reservado para pagamento — em 2025 foi de R$ 145,6 milhões, abrangendo despesas com diárias e passagens de órgãos e entidades vinculadas, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O valor foi apurado junto ao Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP).
“Do total mencionado, aproximadamente R$ 10,2 milhões foram gastos sob a administração direta do MMA, destinados à coordenação, articulação institucional e participação em agendas técnicas e estratégicas essenciais para a formulação de políticas públicas”, informou o ministério.
Além disso, o Ibama foi responsável pelo maior volume de empenho, totalizando R$ 90,9 milhões, “devido à necessidade operacional e descentralizada das atividades de campo do instituto”.
“Quase R$ 50,4 milhões foram investidos em ações em áreas federais prioritárias, enquanto R$ 24,8 milhões foram direcionados à fiscalização ambiental e à prevenção e combate a incêndios florestais. O ICMBio empenhou cerca de R$ 43,1 milhões, com gastos em gestão e manutenção de unidades de conservação, além de ações em áreas remotas. As demais unidades e entidades vinculadas (SFB, JBRJ, FNMA e Fundo Clima) apresentaram participação residual”, destaca o relatório.
O Metrópoles buscou contato com os outros ministérios citados, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.