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Governadores sem reeleição enfrentam desafios para indicar sucessores

Com o término de seus mandatos e a impossibilidade de buscar a reeleição, governadores estão encontrando obstáculos para estabelecer sucessores nas administrações estaduais. Em 15 dos 18 estados onde a recondução ao cargo não é viável, os atuais líderes do Executivo lutam para formar alianças e passar adiante seu capital político. Divisões internas, desavenças em acordos e incertezas sobre as candidaturas complicam ainda mais os cenários locais.

Em dez das disputas, os governadores sinalizam que devem apoiar seus vices nas eleições de outubro, enquanto em outros dois casos, a preferência recai sobre secretários. Por outro lado, cinco governadores ainda não decidiram quem receberá seu apoio.

Em Minas Gerais, onde está o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, o governador Romeu Zema (Novo) busca alavancar a candidatura do vice, Mateus Simões (PSD), ao Palácio Tiradentes. Apesar de sua gestão ser bem avaliada, Zema enfrenta dificuldades em transferir seu prestígio político para o aliado. Entre os apoiadores de Simões, há a crença de que seu desempenho poderia melhorar caso Zema deixasse o cargo para concorrer à presidência, permitindo a Simões maior visibilidade e controle da máquina pública. No entanto, líderes do PSD mineiro afirmam que o vice ainda não decolou nas pesquisas, ocupando atualmente a terceira posição, e enfrenta resistência interna devido a movimentações do partido em busca de aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e também desentendimentos na base aliada de Zema.

No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) ainda não definiu seu candidato para a sucessão estadual. A situação é complicada pela eleição indireta prevista para maio, que escolherá alguém para concluir o mandato de Castro, que planeja deixar o Palácio Guanabara para concorrer ao Senado. O PL fluminense se divide entre dois nomes do atual governo: o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, e o secretário de Cidades, Douglas Ruas. Pesquisas internas apontam um desempenho fraco para ambos em comparação ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Uma parte do partido defende que um único nome seja escolhido tanto para a eleição indireta quanto para a disputa regular, acreditando que liderar o Executivo estadual traria visibilidade ao candidato.

Em declarações ao Metrópoles, o presidente do PL no estado, Altineu Côrtes, indicou que a decisão será tomada após o Carnaval, levando em conta as avaliações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do próprio Cláudio Castro.

Dos sete estados da Região Norte, cinco governadores enfrentam desafios na consolidação de sucessores. Em Roraima, Antonio Denarium (PP) escolheu o vice Edilson Damião (Republicanos) como seu candidato, mas ele figura em segundo lugar nas pesquisas e enfrenta entraves na formação de uma chapa. Parte de sua base defende o presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio (Republicanos), para a vice, enquanto outro grupo prefere Gerlane Baccarin (PP), esposa do senador Hiran Gonçalves (PP).

No Amazonas e no Tocantins, Wilson Lima (União) e Wanderlei Barbosa (Republicanos) ainda não decidiram quem apoiarão. Barbosa indicou que deve ficar no cargo até o final do mandato, frustrando os planos do vice Laurez Moreira (PSD). Lima vive uma situação semelhante, adiando sua saída do governo, o que pode beneficiar o prefeito de Manaus e adversário, David Almeida (Avante).

No Acre, a vice-governadora Mailza Assis (PP), potencial candidata apoiada por Gladson Cameli (PP), apresenta baixo desempenho nas pesquisas. Por outro lado, no Pará, a vice Hana Ghassan (MDB) se destaca: apoiada por Helder Barbalho (MDB), ela lidera as intenções de voto e conta com o respaldo da base aliada.

O governador do Paraná e pré-candidato à presidência, Ratinho Júnior (PSD), ainda não definiu seu candidato para a sucessão no estado. Entretanto, em simulações locais, os três possíveis nomes — Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca — apresentam desempenho pouco favorável. Sem uma definição, a base de Ratinho continua enfrentando dificuldades.

No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) busca replicar a aliança que o elegeu para viabilizar a candidatura do vice Gabriel Souza (MDB), mas até o momento, essa estratégia não tem obtido resultados. Souza aparece em quarto lugar nas pesquisas internas.

Situação semelhante é vivida por Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo, onde ele tenta transferir apoio ao vice Ricardo Ferraço (MDB), que atualmente está em empate técnico com Lorenzo Pazolini (Republicanos). O grupo tem a expectativa de que Ferraço ganhe força a partir da saída de Casagrande, que disputará o Senado.

No Nordeste, a dificuldade em consagrar sucessores também se torna evidente. Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) decidiu apoiar o ex-governador e atual ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), que está em empate técnico com o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL). Dantas planeja permanecer até o final do mandato, apostando na força da máquina estadual.

Na Paraíba, João Azevêdo (PSB) tenta fortalecer a candidatura do vice Lucas Ribeiro (PP), mas enfrenta resistência interna e um desempenho aquém nas pesquisas, nas quais Ribeiro aparece atrás do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB). No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) articula a candidatura do secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), que ainda é pouco conhecido e distante da liderança.

O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União), busca viabilizar o vice Otaviano Pivetta (Republicanos), mas enfrenta dissidências dentro do próprio partido e pesquisas desanimadoras. Uma facção do União Brasil defende a candidatura do senador Jayme Campos.

Na Região Centro-Oeste, os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), parecem ter um caminho mais tranquilo para a sucessão. Caiado tem trabalhado para conquistar o apoio do PL e dissipar as resistências em sua base à candidatura de Daniel Vilela (MDB), atual vice-governador e filho do ex-prefeito de Goiânia, Maguito Vilela, que faleceu após ser eleito prefeito de Goiânia em 2020. Vilela lidera as pesquisas, e Caiado aposta que seu desempenho se fortalecerá a partir de abril, quando pretende deixar o cargo para concorrer à presidência.

Nos últimos anos, Ibaneis preparou a vice-governadora Celina Leão (PP) como sua sucessora. Celina representou Ibaneis em compromissos públicos e atuou como porta-voz do governador em questões de segurança pública e articulações políticas com o Congresso. Essa projeção, segundo aliados, reflete no bom desempenho da vice-governadora, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

No Maranhão e em Rondônia, os governadores Carlos Brandão (sem partido) e Marcos Rocha (União) estão reconsiderando seus planos de concorrer ao Senado e optando por permanecer em seus cargos até o início de 2027. Eles argumentam que essa decisão visa evitar que seus vice-governadores ganhem protagonismo. Brandão busca apoiar Orleans (MDB), atual secretário de Assuntos Municipalistas, para o governo do Maranhão, e anunciou ter reunido o apoio de 12 partidos de sua base. No entanto, pesquisas mostram o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), liderando a corrida.

Marcos Rocha, por sua vez, ainda não definiu seu apoio para a disputa de outubro, mas tenta evitar que o vice-governador Sergio Gonçalves (União) se destaque na competição pelo comando do estado. A relação entre Rocha e Gonçalves se deteriorou após o vice solicitar a anulação de uma lei que permitiria ao governador continuar no cargo fora de Rondônia. Políticos próximos a Rocha afirmam que ele pode apoiar a candidatura do prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria (PSD), que está empatado tecnicamente com outros três candidatos, conforme levantamento do instituto Paraná Pesquisas.

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, deve lançar sua candidatura à reeleição. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pode concorrer a um novo mandato, enquanto Rafael Fonteles lidera as pesquisas para sua reeleição. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também é pré-candidato à reeleição, assim como o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri. O governador do Ceará, Elmano de Freitas, sinaliza que deve ser candidato à reeleição, assim como Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul, e Jerônimo Rodrigues, atual governador da Bahia, que é apontado como candidato à reeleição pelo PT. O governador Clécio Luís, do Amapá, também deve concorrer novamente.

O cenário também é desafiador para alguns governadores que buscarão a reeleição. Elmano de Freitas (CE) e Jerônimo Rodrigues (BA), ambos do PT, enfrentam posições desconfortáveis nas pesquisas. O partido está discutindo estratégias para reverter essa situação. O ex-governador do Ceará e atual ministro da Educação, Camilo Santana, já indicou que pode deixar o cargo para reforçar a campanha no estado.

No Amapá, Clécio Luís mudou de partido recentemente, indo para o União Brasil, em busca de uma melhora nas pesquisas. Ele é aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que também lidera a sigla no estado. No entanto, levantamentos feitos por seu grupo político indicam que o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), está à frente na disputa, sendo um adversário de Alcolumbre.

Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) encontra dificuldades para formar alianças e ocupa a segunda posição nas pesquisas, atrás do prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade