A Universidade de Caxias do Sul (UCS) decidiu descontinuar um memorial em homenagem a Ernesto Geisel, que ocupou a presidência do Brasil durante o período da ditadura militar. A medida foi tomada após a instituição enfrentar uma ação civil do Ministério Público Federal (MPF). Em comunicado enviado ao Metrópoles, a universidade informou que o acervo foi transferido para a prefeitura de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, uma vez que o local onde estava instalado, que também foi residência de Geisel, apresentava deterioração.
A UCS esclareceu que a biblioteca do campus da cidade havia abrigado o memorial, que não continha “discurso celebrativo ou elementos que promovam ou cultuem a personalidade do ex-presidente.” O acervo, que foi mantido pela comunidade de Bento Gonçalves e instalado na Casa Geisel em 2019, foi deslocado devido à degradação do espaço. O material apresentado tinha como objetivo apenas oferecer contexto histórico, sem louvações ou glorificações a Geisel.
O pedido do MPF para a desativação imediata do memorial não foi aceito, conforme decisão do juiz Bruno Risch Fagundes de Oliveira, datada de 17 de dezembro de 2025. A UCS reafirma que o acervo já foi retirado de suas instalações e entregue à Prefeitura de Bento Gonçalves, reiterando seu compromisso com a diversidade de opiniões ao longo de seus 58 anos de existência.
A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul (PRDC/RS), vinculada ao MPF, argumentou que a existência do memorial representa uma afronta aos direitos à memória e à verdade, além de desrespeitar a dignidade das vítimas do regime militar e dos princípios democráticos do país. A reportagem tentou confirmar a decisão sobre a liminar com o MPF, mas não obteve resposta antes da publicação.