Em resposta ao decreto do governo que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) com o intuito de aumentar a arrecadação e atender às metas fiscais, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quinta-feira (29) a formação de um grupo de trabalho (GT) dedicado à discussão da reforma administrativa. O objetivo é que o grupo apresente propostas em até 45 dias, visando tornar a administração pública mais eficiente e diminuir os gastos.
Até o momento, a reforma administrativa não era considerada uma prioridade pelo Executivo. Com esse anúncio, a Câmara demonstra sua intenção de liderar o debate sobre a modernização do serviço público, pressionando o governo a implementar mudanças estruturais em vez de depender do aumento de impostos para equilibrar o orçamento.
A criação do GT ocorre no contexto de esforços no Congresso para revogar o decreto que aumentou o IOF. Já foram apresentados pelo menos 22 Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) — 20 na Câmara e 2 no Senado. Se algum deles for aprovado, será a primeira vez em 25 anos que o Legislativo derruba um decreto dessa natureza.
O grupo será liderado pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD/RJ) e terá um prazo de 45 dias para finalizar seus trabalhos. A composição do grupo, além do coordenador, é a seguinte:
Hugo Motta tem se posicionado como uma das principais vozes contrárias ao aumento de impostos. Ele argumenta que o aumento do IOF impacta diretamente a população e o setor produtivo, sem abordar os problemas estruturais das finanças públicas. “Essa instabilidade desencoraja investimentos”, afirmou. O presidente da Câmara defende um planejamento a médio e longo prazo, com responsabilidade fiscal, controle de despesas e incentivo à eficiência no setor público.
A iniciativa da Câmara se destaca, uma vez que até agora a reforma administrativa não fazia parte da agenda do governo Lula. Desde o início do mandato, a prioridade da equipe econômica tem sido a reforma tributária e o aumento da arrecadação. A proposta de reforma herdada do governo Bolsonaro foi arquivada, e o tema não consta entre as prioridades do Plano Plurianual (PPA) 2024–2027.
Além disso, ministros e aliados do governo têm mostrado resistência em relação a essa pauta. O próprio presidente Lula já declarou que “a máquina pública não é ineficiente como afirmam” e que “não faz sentido tratar servidor como um problema”. Essas declarações indicam que não havia disposição política no Planalto para avançar com mudanças estruturais na administração pública.
Ao reintroduzir o tema, Motta indica que o Legislativo possui sua própria agenda voltada para a responsabilidade fiscal. Nos bastidores, acredita-se que o grupo de trabalho também intensifica a pressão sobre o Executivo, obrigando-o a discutir alternativas mais amplas e duradouras em vez de se apoiar no aumento de impostos. A equipe econômica se comprometeu a apresentar uma nova proposta ao Congresso em até dez dias.
A reforma administrativa tem como objetivo modernizar o serviço público brasileiro, buscando uma administração mais eficiente, com redução de custos e melhoria nos serviços prestados à população.
Entre os principais pontos da proposta estão:
Essa reforma está contemplada na PEC 32/2020, que está sendo discutida no Congresso. Apesar de sua relevância, o tema é sensível, pois envolve servidores e sindicatos que temem a perda de direitos.
Os defensores da reforma argumentam que ela é fundamental para garantir a sustentabilidade das contas públicas e aprimorar os serviços oferecidos à população.