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Envolvimento em golpe: Freire Gomes refuta acusação de ter prendido Bolsonaro

O general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, declarou em uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) que nunca deu voz de prisão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A alegação surgiu a partir de um depoimento do brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior à Polícia Federal, onde se referiu a um momento em que Bolsonaro teria sugerido a possibilidade de um golpe de Estado ou a aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Durante a primeira audiência do chamado “núcleo 1” da suposta trama golpista, Freire Gomes desmentiu a declaração do chefe da Aeronáutica. “A mídia noticiou que eu teria dado voz de prisão ao presidente, mas isso nunca aconteceu. Acredito que houve uma má interpretação em nossas conversas entre os comandantes”, afirmou.

Ele explicou que, em reuniões, Bolsonaro mencionou a possibilidade de avaliar uma GLO ou uma intervenção fora dos limites constitucionais. “O que eu alertei ao presidente foi que, se ele se afastasse do âmbito jurídico, além de não poder contar com nosso apoio, ele poderia enfrentar consequências legais”, disse.

Freire Gomes também comentou sobre a postura do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, afirmando que Garnier havia oferecido tropas a Bolsonaro para a implementação do golpe. No entanto, na audiência desta segunda-feira, Freire Gomes declarou que não compreendia a intenção de Garnier ao se “colocar à disposição”. O ministro Alexandre de Moraes o advertiu, dizendo: “O senhor precisa ser sincero. Ou o senhor distorceu a verdade na polícia ou está fazendo isso aqui”.

Na sequência, Freire Gomes reafirmou: “Nunca menti. O Almirante Garnier se posicionou ao lado do presidente. Não escondi essa informação, mas a interpretação do que ele quis dizer não é minha responsabilidade”.

Nesta audiência inicial, além de Freire Gomes, três testemunhas convocadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) foram ouvidas. Entre elas, estava o sócio-proprietário da Gaio Innotech Ltda., uma pequena empresa subcontratada pelo presidente do Instituto Voto Legal, Carlos Rocha, além de analistas e coordenadores da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que relataram interferências e solicitações de fiscalização durante as eleições de 2022.

Todos corroboraram os relatos feitos à Polícia Federal. O coordenador de análise de inteligência da PRF na época, Adiel Pereira Alcântara, destacou que o então diretor-geral, Silvinei Vasques, foi “impróprio” em suas solicitações de “policiamento direcionado”. “O DG exigiu fotos das abordagens aos ônibus dos superintendentes. Eu era bastante crítico à gestão de Vasques, pois ele estava muito próximo do ex-presidente e vinculando a imagem da corporação a ele. Ouvi que era uma ordem do DG para esse policiamento direcionado. Cheguei a essa conclusão porque ele estava fazendo uma polícia de governo, e não uma polícia de Estado, o que era prejudicial para a PRF”, disse.

Clebson Ferreira de Paula Vieira, analista de inteligência da PRF e policial militar, expressou sua surpresa diante dos pedidos de Marília Alencar, mencionando um “desespero” da cúpula para coletar informações sobre os locais com maior apoio a Lula e menor a Bolsonaro.

Éder Lindsay Magalhães Balbino, ex-sócio da Gaio Innotech Ltda., também discutiu o contrato com o PL para elaborar um relatório sobre as urnas eletrônicas.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), estava entre as testemunhas programadas para serem ouvidas nesta segunda-feira. Contudo, na sexta-feira (16/5), a PGR informou ao STF que desistiu de convocá-lo como testemunha de acusação, e ele não precisará comparecer. Ao iniciar a audiência, Moraes questionou a defesa de Anderson Torres se desejava manter Ibaneis como testemunha, ao que o advogado respondeu negativamente.

O núcleo 1, considerado o grupo “crucial” na denúncia da PGR, inclui diversos réus. O depoimento do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, estava agendado para esta segunda-feira, mas ele solicitou a mudança da data. O ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido, remarcando sua oitiva para o dia 21 de maio, às 11h30, a ser realizada por videoconferência.

Em seu depoimento à Polícia Federal, Baptista Jr. afirmou ter se manifestado contra as articulações para um golpe de Estado.

A audiência com as 82 testemunhas do núcleo 1 está prevista para ser encerrada em 2 de junho. Neste momento, as datas e horários foram estabelecidos apenas para as testemunhas de acusação, com as de defesa programadas para depois.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade