O cantor e compositor mineiro Lô Borges faleceu no último domingo (2), aos 73 anos, deixando um legado incomensurável para a música brasileira. Natural de Belo Horizonte, Salomão Borges Filho foi um dos protagonistas que revolucionaram a MPB ao lado de Milton Nascimento, com quem lançou o icônico álbum Clube da Esquina (1972), considerado um dos registros mais influentes da música mundial.
Desde sua infância, Lô foi cercado por música. Como irmão de Telo, Marilton e Márcio Borges, todos músicos, ele começou sua trajetória artística compondo junto ao irmão Márcio algumas das canções mais emblemáticas do movimento mineiro. Entre suas obras-primas estão “Paisagem da Janela”, “O Trem Azul”, “Tudo Que Você Podia Ser” e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, esta última lançada em 2003. Ao longo dos anos, suas composições foram interpretadas por grandes nomes como Milton Nascimento, Elis Regina, Samuel Rosa, Beto Guedes e Lobão.
Os principais sucessos do Clube da Esquina incluem:
“Equatorial” (1967) – Coescrita por Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges, essa música desafiou as convenções com sua partitura inovadora, impressionando a orquestra do conservatório da UFRJ. Nelson Ângelo, responsável pelo arranjo, recorda: “A ideia era gerar um efeito. Poderia ter escrito isso de maneira mais inteligível, mas éramos todos jovens na época”.
“Para Lennon e McCartney” (1970) – A colaboração entre Márcio Borges, Lô Borges e Fernando Brant trazia à tona a influência dos Beatles no Clube da Esquina, ao mesmo tempo que reafirmava a identidade mineira: “Sou do mundo / Sou Minas Gerais”. Milton Nascimento, amigo íntimo do trio, descreveu-os como “coração”, ressaltando a amizade como base criativa.
“Feira Moderna” (1970) – Composição de Beto Guedes, Lô Borges e Fernando Brant, essa música marcou a estreia do grupo no V Festival Internacional da Canção, pavimentando o caminho para o surgimento do movimento Clube da Esquina.
“Paisagem da Janela” (1972) – Presente no álbum Clube da Esquina, a canção criada por Lô Borges e Fernando Brant se tornou um dos grandes sucessos da MPB, celebrando a força da música mineira em contraste com os eixos Rio-São Paulo-Bahia.
“O Trem Azul” (1972) – Lançada em parceria com Ronaldo Bastos, essa canção se tornou um clássico, com letras que evocam a vida em Minas e o amor pelo Cruzeiro, time que Lô tanto admirava.
” Tudo Que Você Podia Ser” (1972) – Composição de Lô e Márcio Borges, simboliza a profundidade histórica do Clube da Esquina: “Foi uma hecatombe. Milhões de pessoas nos adoram até hoje. A obra que fizemos transcende gerações”, recorda Lô.
“Um Girassol da Cor de Seu Cabelo” (1972) – Uma balada romântica escrita com Márcio Borges, que deixou um impacto duradouro na música brasileira, inspirando artistas de várias gerações, como Mallu Magalhães.
“Nuvem Cigana” (1972) – Uma colaboração entre Lô Borges e Ronaldo Bastos, que faz alusão ao coletivo de poesia revolucionária que influenciou parte do álbum Clube da Esquina.
“Vento de Maio” (1979) – Composta em parceria com Márcio e Telo Borges, essa música ganhou notoriedade através da interpretação de Elis Regina, consolidando-se como um clássico da MPB.
“Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor” (2003) – Uma composição tardia que preservou a essência do Clube da Esquina, lançada por Milton Nascimento no álbum Pietá.
Um legado que perdura através das gerações
Lô Borges não se limitou a compor músicas; ele foi fundamental na definição da identidade da música brasileira contemporânea. Com melodias inovadoras, letras poéticas e uma abordagem original, o artista mineiro continua a influenciar músicos tanto no Brasil quanto no exterior. Sua obra permanece viva e ressoa entre as gerações, mantendo Minas Gerais como um importante polo criativo da MPB.