Nesta quarta-feira (29), celebramos o Dia Nacional do Livro e, para marcar a data, o SouBH elaborou uma lista de sugestões literárias de autores originários de Belo Horizonte. Homens e mulheres que, de diversas maneiras, transformaram a vida na capital mineira em poesia, ficção e reflexão. Entre os grandes nomes que ajudaram a moldar a imagem da cidade, como Fernando Sabino e Roberto Drummond, e novas vozes que demonstram que BH continua a ser um terreno fértil para histórias, como Adriane Garcia e Conceição Evaristo, você encontrará opções para a sua próxima leitura. Confira!
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De Adriane Garcia, “Arraial do Curral del Rei: a Desmemória dos Bois” (Editora Conceito)
Neste volume da coleção “BH: A Cidade de Cada Um”, Adriane Garcia transforma pesquisa histórica em poesia. O livro revisita o antigo Curral del Rei, berço de Belo Horizonte, refletindo sobre o crescimento da cidade e as vozes e corpos silenciados nesse processo. Com uma linguagem que é ao mesmo tempo lírica e política, a autora dá voz aos marginalizados na modernização.
De Ana Elisa Ribeiro, “Nossa língua & outras encrencas” (Parábola Editorial)
Inspirada na famosa frase de Fernando Pessoa, “Ortografia também é gente”, Ana Elisa Ribeiro compila em “Nossa língua & outras encrencas” 62 crônicas publicadas ao longo de cinco anos na revista Pessoa. Com uma abordagem leve e bem-humorada, a autora explora a língua portuguesa em toda a sua riqueza, tratando de vírgulas, sotaques e peculiaridades sem se restringir a regras gramaticais. O resultado é uma homenagem à linguagem viva, plural e cheia de nuances.
De Ana Martins Marques, “O livro das semelhanças” (Companhia das Letras)
Em “O livro das semelhanças”, Ana Martins Marques reafirma sua posição entre as vozes mais inovadoras da poesia contemporânea brasileira. Com sutileza e ironia, ela investiga as interconexões entre palavras e o mundo — um espaço sempre em transformação. Dividida em quatro partes, a obra aborda temas como amor, memória, tempo e linguagem.
De Bruna Kalil Othero, “O presidente pornô” (Companhia das Letras)
Misturando sátira política, erotismo e humor afiado, Bruna Kalil Othero recria a narrativa de um país fictício — que, de forma alarmante, parece muito familiar — através de Bráulio Bestianelli, um presidente que encapsula os vícios e delírios da política brasileira. A autora constrói uma alegoria sobre poder, moralidade e desejo, revelando as entranhas de uma nação que parece sempre à beira de repetir seus erros.
De Carla Madeira, “Tudo é rio” (Record)
O romance de Carla Madeira segue a história de Dalva e Venâncio, cujo relacionamento é abalado por uma perda trágica provocada pelo ciúme do marido, e Lucy, uma prostituta que entra em suas vidas, formando um triângulo amoroso. A narrativa flui continuamente, explorando paixões, ciúmes, perdas e desejos.
De Cidinha da Silva, “Só bato em cachorro grande, do meu tamanho ou maior: 81 lições do Método Sueli Carneiro” (Rosa dos Tempos)
Esta obra compila 81 lições extraídas de mais de três décadas de convivência de Cidinha da Silva com Sueli Carneiro, filósofa e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Organizado em textos curtos, o livro sistematiza o Método Sueli Carneiro, abordando temas como resistência, ética e estratégias para enfrentar desigualdades sociais.
De Conceição Evaristo, “Ponciá Vivêncio” (Pallas)
Em “Ponciá Vivêncio”, Conceição Evaristo entrelaça memória, história e identidade por meio da trajetória da protagonista. A narrativa circular conecta passado e presente, lembranças e experiências, revelando a vivência de um povo marcado pela escravidão, racismo e opressão de classe.
De Fernando Sabino, “O encontro marcado” (Record)
“O encontro marcado”, um dos romances mais emblemáticos da década de 1950, narra a busca existential de Eduardo Marciano. Estruturado em duas partes, “A procura” e “O encontro”, e subdividido em seis seções, o livro explora sua infância, educação, descoberta sexual, primeiros relacionamentos, casamento e amizades significativas, especialmente nos anos 1940 em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
De Laura Cohen, “Caruncho” (Edições de Minas)
Em “Caruncho”, a passagem do tempo e a deterioração de relações e corpos são o foco da narrativa, que gira em torno do conflito entre um maestro de 65 anos, lidando com limitações físicas, e uma violoncelista de 35 anos que pausa sua carreira para ajudá-lo a realizar seu último concerto. A música clássica é uma parte essencial da trama.
De Lavínia Rocha, “Entre 3 mundos” (Gutenberg)
Lavínia Rocha oferece ao público infantojuvenil a história de Alisa, uma adolescente que vive em um Brasil dividido entre o Norte e o Sul, regiões separadas por um contrato que proíbe migrações. Identificada como sulista, apesar de sua família ser do Norte, Lisa deve esconder sua verdadeira identidade enquanto enfrenta dilemas típicos da adolescência e lida com confusões amorosas.
De Ricardo Aleixo, “Sonhei com o anjo da guarda o resto da noite” (Todavia)
Este livro reúne memórias do poeta, enfatizando como suas experiências escolares — onde aulas de matemática eram iniciadas com leituras de poesia de autores como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira — moldaram sua formação artística. O contato com a poesia concreta, que une linguagem e estrutura matemática, é apresentado como um marco em sua trajetória criativa.