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‘Por Inteiro’ investiga um futuro onde a ciência determina o amor verdadeiro

O que ocorreria se a ciência desenvolvesse um método para identificar nossa alma gêmea? Em “Por Inteiro”, uma obra de ficção científica com toques de simplicidade tecnológica, essa questão é abordada, focando em um aspecto em meio a infinitas possibilidades sociais e pessoais. A trama gira em torno de um teste que, de maneira científica e precisa, revela quem é o verdadeiro amor de cada um.

Segundo Brett Goldstein, ator e coautor do roteiro ao lado de William Bridges, a noção de que existe uma única pessoa destinada a alguém sempre lhe pareceu absurda. “Se isso fosse real, as outras relações em sua vida poderiam perder a relevância”, observa. Bridges, que também dirige o filme, complementa: “Queríamos explorar o que acontece quando duas pessoas se conectam, mas a ciência afirma que não são feitas uma para a outra”.

Esse dilema é exemplificado pela amizade entre Simon (Brett Goldstein) e Laura (Imogen Poots). Em um futuro próximo, que reflete nosso mundo atual, eles são amigos inseparáveis desde a faculdade. Laura decide realizar o teste em uma clínica, e Simon a acompanha. O resultado revela quem é sua alma gêmea, e ela se dedica a se casar e construir uma vida com Lukas (Steven Cree), a pessoa indicada.

Entretanto, o amor vai muito além de um simples teste. “Nesse universo, o amor verdadeiro é quantificável”, explica Bridges. “Se a ciência valida a ideia de que uma única pessoa é a certa, como seria um mundo que ignora outros fatores do amor, como romance, incertezas e dor?” O diretor acredita em almas gêmeas, mas não de acordo com a lógica de sua narrativa. “Um teste nunca existirá; ele era necessário para a nossa história”, esclarece. “O amor envolve escolhas, decidir se apaixonar, decidir compartilhar a vida com alguém”.

O verdadeiro conflito em “Por Inteiro” reside na humanidade de Simon e Laura, que claramente têm sentimentos um pelo outro, mas se contêm, pois a sociedade em que vivem valoriza a validação científica como um substituto do amor romântico. Isso os leva a um relacionamento clandestino que perdura por anos – ele vivendo uma solidão resignada, enquanto ela se encontra casada com sua alma gêmea, ambos incapazes de romper as barreiras impostas pelo status quo.

“Laura é uma personagem imperfeita, o que facilita a criação de empatia com sua trajetória”, explica Imogen Poots. “É fundamental ter personagens que tomam decisões moralmente questionáveis, como iniciar um romance adúltero, mas que ainda assim suscitam nossa compaixão”. Goldstein vê “Por Inteiro” como uma narrativa sobre a busca por segurança e estabilidade no amor. “David Lynch, meu ídolo, dizia que descobrir um mistério poderia levá-lo à ruína”, reflete. “Sinto o mesmo em relação ao amor e às certezas, pois respostas absolutas podem tirar um pouco da magia da vida”.

AMAR É… TRANSFORMAR O MUNDO!

“Por Inteiro” pode não apresentar um futuro fantástico típico da ficção científica, mas sua abordagem de baixo custo levanta questões intrigantes sobre como a sociedade reagiria se a ciência realmente pudesse identificar o parceiro ideal para cada um. “Seria uma revelação que transformaria tudo”, especula Bridges. “Mas talvez essas mudanças não fossem imediatas”. O diretor compara seu teste fictício à criação da internet, um evento que revolucionou o mundo, mas cujos efeitos foram sentidos gradualmente.

“Acredito que um teste para identificar almas gêmeas teria um impacto semelhante”, diz ele. “Inicialmente, estaria disponível apenas para os mais ricos, e com o tempo, seria acessível a todos, até mesmo por correio”. Apesar da grandiosidade da proposta, que afetaria desde questões religiosas a serviços de saúde e a dinâmica dos casamentos, a narrativa foca no início da popularização desse processo, evitando explorar suas consequências mais amplas.

A intersecção entre tecnologia e intimidade nas relações humanas já havia sido abordada por William Bridges em “USS Callister”, um episódio que ele escreveu para a antologia “Black Mirror”, além da série “Soulmates”, que co-criou com Brett Goldstein, onde se flertava com a ideia de um teste que determinaria com 100% de precisão a pessoa por quem alguém se apaixonaria.

AMAR É… O PARADOXO DA DOR!

“Vivemos em um mundo onde a tecnologia influencia todos os aspectos da vida, incluindo nossos relacionamentos”, explica Bridges. “Explorar essa intersecção sempre me pareceu um caminho natural”. O diretor destaca que as duas facetas do amor – como uma escolha ou um destino – são exploradas em “Por Inteiro”. “As reflexões sobre o tema nos levaram a Brett e a mim a este projeto”, reflete. “Não há uma regra única para o amor”.

“Não sei se poderia dar algum conselho a Laura”, imagina Imogen. “Talvez dissesse que ela está correta em viver um dia de cada vez, um ano de cada vez, até que um dia não haja mais preocupações”. A relação de sua personagem com Simon é impulsionada pelo desejo, que a atriz acredita se torna mais forte sempre que existe uma barreira; uma vez derrubada, resulta em dor.

“Recentemente, assisti a ‘Juntos’ (com Alison Brie e Dave Franco) e vi essa questão ilustrada como duas pessoas vivendo como metades de um todo”, reflete. “A dor faz sentido, pois o amor é um paradoxo, algo terrível, já que passamos a vida buscando-o apenas para descobrir que pode ser uma grande farsa!” Brett Goldstein conclui, em tom bem-humorado: “Sentir é, de certa forma, horrível!”.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade