O momento não é dos mais favoráveis para o SBT. É desafiador encontrar motivos para comemorar o 44º aniversário da emissora, que enfrenta uma de suas mais severas crises. Há pouco mais de dois anos, o canal tenta, de diversas maneiras, reverter a acentuada queda em sua audiência, mas até agora, as medidas adotadas não apresentaram resultados significativos.
Com uma programação em constante mudança e uma clara falta de direção, o SBT continua a olhar para seu passado em busca de soluções. Em sua tentativa de reviver os tempos de sucesso, a direção reintroduziu clássicos como “Chaves” e “Chapolin” nos horários nobres, além de trazer de volta programas como “Aqui Agora”, “Casos de Família” e “Bom Dia e Cia”. Contudo, essas iniciativas têm se mostrado infrutíferas. O SBT se distancia cada vez mais da Record e, em vários períodos, compete acirradamente com a Band pela terceira colocação na audiência da Grande São Paulo.
Buscar nos sucessos antigos a solução para as dificuldades atuais é um caminho enganoso. O público da televisão aberta evoluiu, assim como as formas de consumir conteúdo. O SBT necessita desenvolver uma estratégia de programação que esteja em sintonia com uma linha editorial contemporânea e clara, que converse com os telespectadores de hoje, e não com aqueles que acompanhavam a emissora há duas ou três décadas.
Além disso, é fundamental ter paciência para que as mudanças sejam absorvidas pelo público, que não alterará seus hábitos de forma imediata. Como é sabido, a televisão é uma questão de costume.
A coluna espera que a atual direção do SBT busque novos conselheiros que possam ajudar na formulação de estratégias para transformar a emissora em uma alternativa viável entre os canais. Afinal, reanimar programas do passado e tentar replicar o que funcionou para os concorrentes já demonstrou não ser a solução para que o SBT recupere seus momentos de brilho.