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Mubi enfrenta onda de cancelamentos: compreenda o boicote decorrente de sua parceria com Israel

Usuários nas redes sociais estão se mobilizando para cancelar suas assinaturas do serviço de streaming Mubi, que é reconhecido por oferecer filmes independentes e que normalmente não fazem parte do circuito comercial. Este movimento de boicote está relacionado à atual guerra entre Israel e Gaza.

No final de maio, a Mubi anunciou um investimento de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 550,59 milhões) da Sequoia Capital. A controvérsia surgiu quando se descobriu que a empresa de capital de risco, localizada no Vale do Silício, possui conexões com o complexo militar-industrial de Israel.

Entre os investimentos polêmicos da Sequoia está a Kela, uma startup de defesa estabelecida em julho de 2024 por ex-membros de unidades de inteligência israelenses. Essa empresa está desenvolvendo um sistema de operações de campo que combina inteligência artificial com tecnologias comerciais, aplicáveis diretamente em cenários de conflito.

Adicionalmente, o sócio da Sequoia, Shaun Maguire, foi criticado por postagens nas redes sociais que foram vistas como islamofóbicas, resultando em uma petição com mais de 1.000 assinaturas de profissionais de tecnologia pedindo sua demissão.

Um alerta para os cinéfilos: muitos estão pedindo que cancelem suas assinaturas da Mubi, lembrando que a plataforma está sendo financiada pela Sequoia Capital, que, segundo eles, está financiando o genocídio de palestinos. Um usuário comentou: “Cancelei minha assinatura da Mubi em razão de sua conexão com um investidor da ‘defesa’ israelense.”

Em resposta às críticas iniciais, a Mubi divulgou um comunicado reconhecendo a insatisfação do público, mas afirmando que “as crenças de investidores individuais não refletem a posição da Mubi”. O comunicado completo pode ser lido ao final deste artigo.

No dia 30 de julho, mais de 35 cineastas associados à plataforma, incluindo nomes como Radu Jude, Aki Kaurismäki, Miguel Gomes e Joshua Oppenheimer, assinaram uma carta aberta exigindo que a Mubi rompesse publicamente seus laços com a Sequoia Capital. Na carta, os cineastas argumentam que o crescimento financeiro da Mubi está agora “associado ao genocídio em Gaza” e exigem que a plataforma condene publicamente a Sequoia por lucrar com a guerra, remova Andrew Reed do conselho da Mubi, e estabeleça uma política ética para futuros investimentos, seguindo as diretrizes da PACBI, a Campanha Palestina para o Boicote Acadêmico e Cultural a Israel.

Os cineastas expressam: “Não acreditamos que uma plataforma de cinema autoral possa apoiar a comunidade cinematográfica global enquanto se alinha a uma empresa envolvida na morte de artistas palestinos.” A Mubi ainda não se manifestou sobre a carta dos cineastas e, até o fechamento deste artigo, a Mubi Brasil não havia dado nenhum retorno à equipe de reportagem. Uma atualização será feita caso haja resposta.

A pressão já resultou em consequências concretas. A CCA Glasgow, a Cineteca Nacional do México e a Cinemateca de Bogotá cancelaram sua participação no evento Mubi Fest; o Festival de Valdivia (Chile) anunciou que não exibirá filmes distribuídos pela Mubi; e a organização Girls In Film encerrou uma parceria de sete anos, alegando que a Mubi “priorizou o crescimento comercial em detrimento de princípios éticos”.

De acordo com Roberto Sadovski, colunista de Splash, a credibilidade da plataforma pode estar em risco. “Sinal dos tempos: nenhuma figura pública ou empresa pode ignorar a carga política presente em cada uma de suas ações. A Mubi estava ciente do risco ao buscar investimento em uma empresa ligada à tecnologia militar israelense, e também previa uma reação negativa de uma parcela significativa de seus parceiros e assinantes, que se identificam com o sofrimento do povo palestino no conflito com Israel.”

Embora a resposta da Mubi seja protocolar, ela parece enfatizar os resultados da plataforma, em vez de discutir os meios para alcançá-los, o que pode afetar sua credibilidade a longo prazo. Por ora, os desdobramentos ainda estão se desenrolando.

A seguir, leia a declaração da Mubi.

“Desde nossa fundação, a Mubi tem buscado recursos de diversas fontes para fomentar nosso crescimento. A escolha de trabalhar com investidores externos sempre teve um único objetivo: acelerar nossa missão de levar filmes inovadores e visionários a audiências globais. Essa foi a motivação por trás de nossa recente parceria com a Sequoia Capital.

A Sequoia possui uma trajetória de mais de 50 anos colaborando com fundadores para transformar ideias em negócios que impactam o mundo. Seus investimentos abrangem diversos setores, fundadores e regiões. Optamos por colaborar com a Sequoia porque a empresa, assim como nosso parceiro Andrew Reed, apoia a missão da Mubi e deseja nos ajudar a expandir, levando obras cinematográficas notáveis a um público ainda maior.

Nos últimos dias, alguns integrantes de nossa comunidade expressaram preocupação em relação a essa parceria, considerando os investimentos da Sequoia em empresas israelenses e as opiniões pessoais de um de seus sócios. Reiteramos que as crenças de investidores individuais não representam a posição da Mubi.

Levamos muito a sério o feedback de nossa comunidade e mantemos nosso compromisso de ser uma empresa independente, guiada por nossos fundadores.”

Abaixo, confira a carta dos cineastas.

“À liderança da Mubi,

Nós, cineastas que mantemos relações profissionais com a Mubi, manifestamos nossa profunda preocupação com a decisão da empresa de aceitar um investimento de US$ 100 milhões da Sequoia Capital, uma firma de private equity que, desde o final de 2023, intensificou deliberadamente seus investimentos em empresas de tecnologia militar israelense visando lucrar com o genocídio em Gaza. Em 2024, a Sequoia investiu com força na Kela, uma startup de tecnologia militar criada por um ex-executivo sênior da Palantir Israel e vários veteranos da inteligência militar israelense, assim como na Neros, fabricante de drones militares, e na Mach Industries, especializada em veículos aéreos não tripulados.

O crescimento financeiro da Mubi está agora explicitamente vinculado ao genocídio em Gaza, o que compromete todos nós que colaboramos com a plataforma. Acreditamos no poder transformador do cinema e reconhecemos que não podemos controlar como o público receberá nossas obras—se serão tocados ou inspirados por elas. No entanto, temos controle sobre como nosso trabalho reflete nossos valores e compromissos, que são totalmente ignorados quando nossas obras são associadas a uma empresa que lucra com a destruição de vidas palestinas.

Gaza enfrenta um massacre de civis, incluindo jornalistas, artistas e trabalhadores do cinema, além da destruição generalizada do patrimônio cultural palestino. Não acreditamos que uma plataforma de cinema autoral possa verdadeiramente apoiar uma comunidade global de cinéfilos enquanto se alia a uma empresa envolvida no assassinato de artistas e cineastas palestinos.

Realizamos nosso trabalho com responsabilidade perante as comunidades que representamos e o público que nos assiste, pois, como artistas, respondemos a mais do que apenas o lucro. A decisão da Mubi de se associar à Sequoia demonstra uma total falta de responsabilidade para com os artistas e comunidades que ajudaram a empresa a prosperar. Consideramos que é nosso dever ético não causar dano e esperamos que nossos parceiros, no mínimo, recusem a cumplicidade com a violência horrenda que está sendo infligida ao povo palestino.

Portanto, exigimos que a Mubi condene publicamente a Sequoia Capital por lucrar com a guerra, rompa formalmente os laços com a empresa retirando seu representante do conselho, e estabeleça uma política ética clara para futuros investimentos, em linha com as diretrizes do boicote cultural a Israel (PACBI). Convocamos a Mubi a ouvir o apelo do Film Workers for Palestine e a agir de maneira significativa, honrando os artistas e o público que são a base de seu sucesso.”

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade