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O impacto do horror na sétima arte

Como é possível que um filme de um gênero que nos faz fechar os olhos e olhar para trás ao sair da sala de cinema consiga arrecadar mais de 200 milhões de dólares e obter 95% de aprovação da crítica? A resposta pode residir no fato de que o terror, um estilo que divide opiniões, é um dos principais motores de inovação e do impulso econômico no cinema desde seus primórdios.

“A Hora do Mal”, um dos grandes sucessos cinematográficos do ano, apresenta números impressionantes para um filme que muitos ainda rejeitam puramente por ser ‘de terror’. Contudo, essa aversão ao gênero não é novidade; na verdade, ela sempre existiu e, paradoxalmente, serviu como um combustível para que os cineastas se tornassem mais criativos, audaciosos e inovadores.

E quando afirmo que essa dinâmica começou com o advento do cinema, não estou exagerando. O cinema surgiu em 1896, e em 1910, Thomas Edison – sim, o inventor da lâmpada – produziu a primeira versão de “Frankenstein”. Com apenas 12 minutos de duração e um custo irrisório, muitas salas se recusaram a exibi-lo. No entanto, ali estava a semente de uma revolução: a percepção de que o cinema poderia explorar nossos medos mais profundos de uma maneira que nenhuma outra forma de arte conseguiria.

Foi assim que o terror se transformou em um verdadeiro laboratório criativo. Roger Corman, conhecido como o “rei dos filmes B”, criou uma verdadeira escola de talentos, produzindo filmes de terror com orçamentos baixíssimos. Desses projetos emergiram figuras como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Jack Nicholson, Robert De Niro e James Cameron. Esses cineastas moldaram Hollywood ao aprender a fazer cinema com recursos escassos, mas com uma abundância de criatividade e paixão.

No Brasil, José Mojica Marins fez algo semelhante com seu icônico personagem Zé do Caixão. Ele chegou a vender seus móveis para produzir “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” em 1964, estabelecendo não apenas o primeiro filme de terror brasileiro, mas também um símbolo que ainda assombra e inspira o mundo. Mojica demonstrou que o terror nacional poderia ser autêntico, abordando nossas próprias sombras e demônios.

Mas por que somos tão atraídos pelo medo? A ciência nos dá uma pista: ao assistirmos a um filme de terror, nosso corpo libera adrenalina e dopamina. É como se estivéssemos realizando um treino emocional, preparando nossa mente para lidar com situações estressantes de maneira segura. Após o susto, vem o alívio, e o cérebro libera endorfinas – os conhecidos hormônios da felicidade.

Pesquisas indicam que pessoas que assistem a filmes de terror com frequência tendem a ser mais resilientes em tempos de crise. Durante a pandemia, os fãs do gênero apresentaram níveis de saúde mental mais equilibrados. O terror pode ser visto como uma vacina emocional, nos preparando para enfrentar os medos reais da vida.

Infelizmente, no Brasil, o gênero é muitas vezes tratado como o parente pobre do cinema. Com poucos investimentos, as produções dependem da determinação de inúmeros realizadores talentosos que existem no país. Isso é lamentável, pois além de ser uma área promissora financeiramente – filmes de terror costumam ter baixo custo e alto retorno – é um gênero que se conecta diretamente ao público. Aprendi isso na prática ao produzir “O Diabo Mora Aqui”. Com um orçamento equivalente ao preço de um carro, conseguimos criar uma obra que tocou as pessoas, gerou discussões e demonstrou que é possível fazer terror brasileiro sem complexos. O filme foi exibido nos maiores festivais de terror do mundo, recebeu prêmios, foi lançado em DVD em diversos mercados e atualmente está disponível na Amazon Prime.

A indústria cinematográfica brasileira deveria investir mais nesse gênero. Não apenas por ser lucrativo, mas porque é através do terror que o cinema pode ser mais honesto sobre quem somos. Nossos fantasmas, culpas e traumas coletivos podem se transformar em combustível para histórias que assombrem e inspirem. Um exemplo disso é o que Ryan Coogler fez com seu recente filme “Pecadores”, que aborda a história negra nos Estados Unidos.

O terror sempre se destacou por sua capacidade de quebrar barreiras técnicas, narrativas e estéticas no cinema. E se pararmos para refletir, talvez o Brasil precise de coragem para encarar seus próprios monstros e transformá-los em arte.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade