Nesta quarta-feira (28/5), a China deu início à missão Tianwen-2, com o objetivo de coletar amostras do asteroide 469219 Kamo‘oalewa. Especialistas sugerem que este asteroide pode ser um fragmento da Lua e que suas análises podem fornecer informações sobre a origem da Terra e da água. A cápsula está programada para retornar em 2027, trazendo fragmentos do asteroide para estudos em solo terrestre.
O lançamento ocorreu às 1h31, horário local (14h31 em Brasília), no Centro de Lançamento de Satélites Xichang, localizado no sudoeste da China. A nave foi impulsionada pelo foguete Long March 3B, um dos principais modelos da frota espacial chinesa. Segundo informações da agência estatal de notícias Xinhua, após o lançamento, os painéis solares da nave foram desdobrados com sucesso, e a Agência Espacial Chinesa (CNSA) confirmou a realização do procedimento.
O asteroide Kamo‘oalewa, foco principal da missão, foi identificado em 2016 e possui cerca de 41 metros de diâmetro. Embora seja considerado pequeno, ele está relativamente próximo da Terra, com distâncias que variam entre 18 e 46 milhões de quilômetros. Cientistas acreditam que ele pode ter se originado de um fragmento lunar, possivelmente lançado ao espaço devido a uma colisão com um meteorito. Sua composição é intrigante, já que o solo desse corpo celeste contém grandes quantidades de ferro, o que pode explicar sua coloração avermelhada.
“Asteroides oferecem informações valiosas sobre a evolução da Terra. Uma teoria sugere que a água do nosso planeta foi trazida por pequenos corpos celestes que colidiram conosco. Esses impactos, como o que levou à extinção dos dinossauros, tiveram um papel significativo na evolução terrestre”, comentou Liu Jianjun, vice-projetista-chefe da Tianwen-2 e pesquisador dos Observatórios Astronômicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências, durante uma coletiva de imprensa local.
Após a coleta das amostras do asteroide Kamo‘oalewa, a missão Tianwen-2 seguirá em direção a um segundo alvo: o objeto 311P, encontrado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Este objeto é peculiar, pois emite material como gás e poeira, assemelhando-se a um cometa com várias caudas.
O que mais chama a atenção dos cientistas é que esse corpo está muito próximo do sol para conter materiais voláteis, como a água. A missão se propõe a investigar a dinâmica orbital, a rotação, a forma, as propriedades térmicas e os materiais ejetados desse corpo celeste incomum.
A Tianwen-2 foi concebida em 2019, com o lançamento inicialmente previsto para 2022. Trata-se da segunda missão interplanetária da China; a primeira, chamada Tianwen-1, foi lançada para Marte em 2020. O nome Tianwen tem origem em um antigo poema chinês que questiona Tian, uma entidade mítica associada ao céu, refletindo o espírito exploratório da missão.
Esta segunda fase da missão evidencia o crescente protagonismo da China na exploração espacial global.
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