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O surpreendente papel do intestino dos elefantes na criação de um café requintado

SimpleImages/Getty Images

O Black Ivory, um dos cafés mais caros e raros do planeta, pode ter seu sabor suave e achocolatado influenciado pela microbiota presente no intestino dos elefantes. Os grãos são digeridos por esses animais e posteriormente coletados em suas fezes, onde passam por um processo de fermentação que altera o perfil final da bebida, conforme um recente estudo publicado na revista Scientific Reports em novembro de 2025.

A pesquisa foi realizada por cientistas do Instituto de Ciências de Tóquio, no Japão, e investigou a flora intestinal de elefantes em um santuário na Tailândia, onde o café Black Ivory é produzido. Para avaliar a influência do intestino dos elefantes no sabor do café, os pesquisadores analisaram fezes de seis elefantes que habitam um santuário no norte da Tailândia.

Três dos elefantes foram alimentados com cerejas de café misturadas a outros alimentos comuns, como banana e farelo de arroz, enquanto os outros três não receberam as cerejas e serviram como grupo controle. De acordo com os cientistas, a inclusão das cerejas de café na dieta foi a única variável entre os dois grupos.

Ao invés de focar nos grãos, como seria esperado, o estudo concentrou-se em identificar as bactérias presentes no intestino dos elefantes. Utilizando a análise do material genético encontrado nas fezes, os pesquisadores mapearam os microrganismos responsáveis pela digestão.

Os resultados revelaram que os elefantes que ingeriram as cerejas de café apresentavam uma quantidade maior de bactérias capazes de decompor as fibras dos grãos, como pectina e celulose, que são os compostos responsáveis pela amargura no café.

Os pesquisadores também compararam esses dados com estudos anteriores sobre a microbiota intestinal de outros animais, como bois, porcos e galinhas. Embora algumas bactérias semelhantes tenham sido encontradas, apenas os elefantes demonstraram um conjunto completo de microrganismos capazes de quebrar pectina e celulose.

Apesar das descobertas promissoras, os pesquisadores alertam que o trabalho ainda está em andamento. O geneticista Takuji Yamada, que lidera a pesquisa, afirmou que a próxima fase envolve entender exatamente como a digestão altera os grãos. A intenção é comparar os grãos crus com aqueles que passaram pelo sistema digestivo dos elefantes, a fim de identificar quais substâncias são reduzidas ou eliminadas no processo. Essa análise pode confirmar se a digestão realmente remove compostos associados ao amargor e se isso se reflete no sabor final do café.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade