Três veículos blindados, disfarçados como viaturas da Polícia Federal (PF), foram empregados por um grupo criminoso na invasão da fazenda Santa Mônica, pertencente ao deputado federal Eunício Oliveira (MDB-CE), situada entre Corumbá de Goiás (GO) e Alexânia (GO). Os veículos foram alugados em Fortaleza (CE).
Uma investigação da Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) já identificou a participação de dez indivíduos, além de um possível grupo por trás da ação. O caso é tratado com cautela devido ao modo incomum de operação do grupo, conforme revelado por duas fontes ao Metrópoles. Os invasores não demonstraram interesse em roubar bens da propriedade, chegando até a abrir o cofre de Eunício, mas sem levar nada.
Na fazenda, os criminosos reviraram alguns cômodos da casa principal, onde o deputado se hospeda em suas visitas, mas não deixaram claro o que estavam procurando. Após o incidente, Eunício expressou preocupação em retornar ao local.
No momento da invasão, o deputado estava em Brasília e foi informado sobre o ocorrido ao ser alertado para revisar as câmeras de segurança da propriedade. Os invasores renderam os seguranças que vigiavam a fazenda, bem como um funcionário que atua como caseiro.
As investigações estão sob a responsabilidade da PCGO, e o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) já solicitou celeridade na apuração. A polícia possui imagens do sistema de segurança, mas a identificação dos suspeitos é complicada, pois todos estavam encapuzados, armados e com coletes e distintivos da PF. A possibilidade de envolvimento de uma organização criminosa do Ceará também é considerada.
Embora a fazenda Santa Mônica pertença ao deputado, ela já foi objeto de disputas judiciais. A propriedade havia sido ocupada por famílias goianas, e em setembro de 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou uma decisão da Justiça de Goiás, devolvendo a posse do imóvel a Eunício. Além da Santa Mônica, a fazenda Cotia também foi tema dessa disputa. O conflito entre Eunício e o proprietário original das terras, que o parlamentar busca adquirir desde 2009, resultou na ocupação da área por cerca de 3 mil famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).