A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançará, na próxima terça-feira (10/11), a Campanha do Laço Branco, iniciativa que busca ampliar a participação dos homens na prevenção e no enfrentamento da violência contra as mulheres. A programação será realizada das 9h30 às 12h, com transmissão pelo canal oficial da instituição no YouTube. A atividade faz parte da agenda institucional “Fiocruz por mulheres vivas, saudáveis e respeitadas”.
A campanha foi estruturada para reforçar a responsabilidade coletiva diante das diferentes formas de violência de gênero. A proposta da Fiocruz inclui a prevenção de agressões, assédio, discriminação e outras práticas associadas à desigualdade entre homens e mulheres, além do estímulo à construção de relações baseadas no respeito, no cuidado e na igualdade.
Ao direcionar a mobilização também aos homens, a iniciativa procura destacar que o enfrentamento da violência contra as mulheres não pode ser atribuído exclusivamente às vítimas. A participação masculina é apresentada como parte necessária da transformação das relações sociais de gênero e da criação de ambientes mais seguros e livres de práticas violentas.
O compromisso defendido pela campanha envolve mudanças tanto nas atitudes individuais quanto na forma como a sociedade reage a situações de violência e discriminação. Nesse sentido, o Laço Branco representa uma convocação para que os homens reconheçam comportamentos machistas, rejeitem a cultura da violência e não permaneçam em silêncio diante de casos de assédio ou desigualdade.
Campanha tem origem em feminicídio ocorrido no Canadá
O movimento do Laço Branco começou no Canadá, em 1991, depois do feminicídio de 14 mulheres ocorrido em 1989, na Escola Politécnica de Montreal. Desde então, o laço branco passou a ser utilizado como símbolo do compromisso dos homens com a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e livre da violência e da discriminação de gênero.
Na campanha, o símbolo não é tratado apenas como uma demonstração pública de apoio. Seu significado está relacionado à adoção de uma postura ativa diante das desigualdades e das agressões praticadas contra mulheres. Isso inclui contestar atitudes machistas, recusar comportamentos que alimentem a violência e agir diante de situações de assédio e discriminação.
A Fiocruz também associa a mobilização à necessidade de fortalecer relações pautadas pelo respeito mútuo e pela igualdade. A mudança de condutas individuais, segundo a proposta, pode contribuir para alterar as relações sociais e criar condições mais efetivas de prevenção da violência contra as mulheres.
Dados de 2026 mostram dimensão da violência no país
Os números apresentados no contexto da campanha evidenciam a extensão do problema no Brasil. De acordo com o painel de violência doméstica do Conselho Nacional de Justiça, foram registrados 945.015 casos de violência doméstica no país entre janeiro e setembro de 2026.
Também em 2026, o Brasil contabilizou 848 casos de feminicídio entre janeiro e julho, conforme informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. Os registros reforçam a necessidade de iniciativas permanentes de conscientização, prevenção e responsabilização em relação à violência de gênero.
Mulheres que necessitarem de orientação ou atendimento podem entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180. O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Em casos de emergência, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo número 190.