As empresas listadas na B3 perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira (26), em uma sessão marcada pela forte queda das ações brasileiras após o resultado da eleição presidencial. O valor consolidado das companhias recuou de R$ 5,684 trilhões, registrados na sexta-feira (23), para R$ 4,950 trilhões no fim do pregão, uma redução de 12,91%, segundo levantamento da Elos Ayta.
O montante perdido em apenas um dia corresponde a 98,4% do valor de mercado da Petrobras, a maior empresa estatal do Brasil. A comparação dimensiona o impacto da queda sobre as companhias negociadas na Bolsa brasileira, que passaram por uma desvalorização concentrada em um único pregão.
A reação negativa dos investidores ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. O candidato recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 48,21%. O resultado contrariou as expectativas de parte do mercado financeiro, que vinha se posicionando para uma vitória de Flávio, especialmente depois de o senador ter liderado a apuração no primeiro turno.
O desempenho das ações provocou forte volatilidade ao longo da sessão. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a recuar mais de 17% durante o pregão. A intensidade da queda levou ao acionamento do mecanismo de circuit breaker, utilizado para interromper temporariamente as negociações quando há movimentos acentuados de baixa.
A perda registrada na segunda-feira também anulou os ganhos acumulados pelas empresas brasileiras nas semanas anteriores. Entre 2 e 23 de outubro, o valor de mercado consolidado das companhias listadas na B3 havia aumentado R$ 409 bilhões, passando de R$ 5,275 trilhões para R$ 5,684 trilhões.
Com o tombo do dia 26, o avanço acumulado nesse intervalo foi mais do que revertido. Ao final da sessão, o valor de mercado das empresas ficou R$ 325 bilhões abaixo do nível registrado em 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno das eleições.
O levantamento também mostra que a queda reduziu de forma significativa a valorização acumulada ao longo de 2025. Entre o encerramento de 2025 e a sexta-feira (23), as companhias listadas na B3 haviam ampliado seu valor de mercado em R$ 972 bilhões. O total passou de R$ 4,712 trilhões para R$ 5,684 trilhões nesse período.
A perda de R$ 734 bilhões registrada na segunda-feira eliminou 75,5% dessa valorização. Mesmo com a forte desvalorização, porém, o valor de mercado consolidado das empresas negociadas na Bolsa permaneceu acima do patamar observado no fim de 2025.