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Expectativa de manutenção de preços elevados do diesel mesmo com acordo entre EUA e Rússia

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Apesar do anúncio de um acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para o fornecimento de diesel aos mercados globais, analistas e agentes do mercado indicam que essa medida não deverá resultar em uma redução significativa nos preços do combustível. Os volumes prometidos pela Rússia são considerados insuficientes para aliviar a escassez mundial de oferta, que se intensificou durante o conflito envolvendo os EUA, Israel e Irã, e que elevou os preços do diesel a patamares históricos.

O acordo, divulgado inicialmente pelo presidente Donald Trump, prevê que a Rússia exportaria imediatamente cerca de 300 mil toneladas de diesel, equivalentes a aproximadamente 2,25 milhões de barris, com entregas adicionais de 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas posteriormente. No entanto, especialistas do setor alertam que a capacidade de produção de diesel da Rússia, além de sua disponibilidade limitada para exportação, dificultaria o cumprimento dessas metas no curto prazo. Além disso, a congestão no mercado global de transporte marítimo pode atrasar ou limitar os embarques previstos.

De acordo com Michelle Brouhard, chefe de política e risco geopolítico na empresa de dados de commodities Kpler, seria necessário um aumento de cerca de 400 mil barris por dia na oferta de diesel para que os preços começassem a recuar de forma significativa. Ela explica que o embarque inicial de aproximadamente 2,2 milhões de barris, distribuídos ao longo de um mês, equivale a apenas cerca de 73 mil barris diários, volume insuficiente para causar impacto relevante no mercado global. Para uma redução imediata nos preços, analistas como Caspian Conran, da consultoria Baringa, estimam que o mercado precisaria de um volume adicional de 850 mil barris por dia.

Embora Trump tenha inicialmente declarado que a Rússia forneceria diesel imediatamente aos Estados Unidos e ao mercado global, posteriormente afirmou que as cargas russas seriam destinadas principalmente ao mercado internacional, levantando dúvidas sobre o real benefício para o abastecimento interno americano. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o diesel russo estaria disponível ao mercado global, ressaltando que a quantidade destinada aos EUA seria uma fração do total. A Casa Branca, por sua vez, garantiu que as cargas de diesel russo ajudariam a reduzir os preços tanto nos EUA quanto no exterior, embora não tenha especificado volumes concretos.

A retomada das exportações russas de diesel também foi observada por dados de transporte marítimo, que indicaram o retorno de alguns navios-tanque às rotas tradicionais, incluindo destinos como Turquia e Brasil. Após o acordo entre Washington e Moscou para fornecer combustível aos mercados globais, o porto báltico de Primorsk voltou a registrar carregamentos de diesel, sinalizando uma possível recuperação na oferta do país, que é o segundo maior exportador mundial de diesel, atrás apenas dos Estados Unidos. Ainda assim, as interrupções nas exportações russas e do Oriente Médio, que totalizaram cerca de 1,3 milhão de barris por dia em setembro — aproximadamente 4,5% da demanda global —, continuam impactando o mercado.

A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou que a escassez de diesel pode persistir até 2027, devido à limitada capacidade de refino da Rússia, com estimativas indicando que até 45% de sua capacidade de produção esteja atualmente fora de operação. Para atender às metas de exportação anunciadas, a Rússia precisaria aumentar sua produção diária de diesel em cerca de 384 mil a 509 mil barris, considerando sua produção atual de aproximadamente 1,4 milhão de barris por dia e o consumo interno de cerca de 1,2 milhão. Como o país também está importando destilados e sua capacidade de refino está bastante reduzida, a possibilidade de aumento expressivo nas exportações no curto prazo permanece improvável.

Por outro lado, fatores como o aumento das taxas de frete e os riscos de segurança no Mar Negro, agravados pelos conflitos na região, elevam os custos de transporte e dificultam o aumento das exportações russas. Proprietários de navios estão relutantes em transportar diesel russo, temendo sanções futuras ou a rejeição por parte de clientes devido à origem das cargas. Apesar do fim temporário das sanções americanas, outras nações ocidentais continuam mantendo restrições, contribuindo para a complexidade do cenário de exportação do combustível russo. Assim, o mercado permanece atento às possibilidades de recuperação da oferta, mas os especialistas concordam que os preços do diesel devem permanecer elevados nos próximos meses, refletindo a escassez e a dificuldade de aumento de produção e transporte.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade