O presidente-executivo do Grupo HSBC, Georges Elhedery, afirmou nesta terça-feira, 20 de outubro, que o investimento em rotas logísticas alternativas no Golfo Pérsico pode tornar o Estreito de Ormuz “desnecessário” dentro de cinco anos, devido às ações de países da região para diversificar suas rotas de transporte de petróleo e gás natural. A declaração reforça a preocupação global com a dependência do mundo dessa via marítima estratégica, que, até recentemente, respondia por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás liquefeito.
O conflito envolvendo o Irã e outros atores na região tem evidenciado a vulnerabilidade dessa rota, levando os países do Golfo a direcionar recursos para o desenvolvimento de dutos de energia que conectem os campos de petróleo e gás aos portos, reduzindo a necessidade de passagem pelo Estreito de Ormuz. Segundo Elhedery, esses investimentos serão essenciais para que a região possa superar as consequências do conflito e manter seu crescimento econômico.
Durante o evento HSBC Future Forum, realizado em Dubai, o executivo destacou que, embora seja desejável uma resolução pacífica para o conflito, há uma expectativa de que o Estreito de Ormuz possa se tornar obsoleto em um futuro próximo. “Acreditamos que essa região será capaz de se recuperar e, em seguida, continuar crescendo. Isso exigirá muitos investimentos”, afirmou.
Dados divulgados pelo HSBC na segunda-feira, 19 de outubro, indicam que países do Oriente Médio, Norte da África e Turquia estão oferecendo aproximadamente US$ 872 bilhões em pacotes de projetos de infraestrutura específicos, parte de um portfólio mais amplo de investimentos no setor, que totaliza cerca de US$ 1,4 trilhão. Essas informações foram obtidas a partir de dados da MEED, plataforma de inteligência de mercado sediada em Dubai, especializada em construção civil e projetos de infraestrutura.
Apesar das tensões e do cenário de instabilidade, uma pesquisa recente do HSBC revelou que mais de 1.600 líderes empresariais e cerca de 820 investidores institucionais globais continuam considerando o Golfo Pérsico uma região atraente para investimentos. No entanto, a previsão do Banco Mundial, divulgada na semana passada, aponta para uma contração econômica de 1,3% na região do Oriente Médio, Norte da África e Paquistão neste ano, reflexo dos efeitos da guerra e das tensões regionais. Essa desaceleração deve ser seguida por uma recuperação econômica forte, porém desigual, prevista para 2027.
Elhedery, que deveria participar de uma importante conferência de investimentos na Arábia Saudita na próxima semana, adiou sua presença para 2027, após ataques mortais em Riad realizados por militantes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã. Os ataques, que tiveram como alvo a capital saudita, geraram instabilidade adicional na região e reforçaram o cenário de incerteza que envolve os projetos de infraestrutura e o futuro das rotas de transporte marítimo na área.