O ministro de Indústria, Comércio, Bens e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (8) que o Brasil deverá registrar um superávit na balança comercial de pelo menos US$ 90 bilhões em 2026. A declaração ocorre em um momento em que o governo revisou sua previsão oficial para o saldo de 2025, reduzindo a expectativa de US$ 85 bilhões para aproximadamente US$ 84,4 bilhões, devido a fatores como menor crescimento nas exportações e o arrefecimento dos preços internacionais de commodities.
Apesar da redução na estimativa para o próximo ano, Rosa destacou que o país mantém uma perspectiva otimista para o superávit de 2026, ressaltando que a previsão mínima de US$ 90 bilhões deve ser cumprida ou até mesmo superada. Ele reforçou que a estratégia brasileira tem sido diversificar os mercados de exportação para compensar os efeitos de medidas protecionistas adotadas por outros países, como a tarifa elevada imposta pelos Estados Unidos e o embargo à exportação de carnes bovinas e de aves pela União Europeia.
Durante sua participação na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Rosa afirmou: “Continuo apostando em US$ 90 bilhões, se não passar de US$ 90 bilhões”, demonstrando confiança na trajetória do saldo comercial brasileiro. Ele também comentou sobre as negociações em andamento com os Estados Unidos, destacando que há um progresso na busca por flexibilizações na tarifação norte-americana. Segundo o ministro, as negociações estão caminhando bem e, nas próximas três ou quatro semanas, o governo brasileiro espera receber uma nova proposta dos EUA.
Rosa acrescentou que, enquanto as negociações avançam, as equipes técnicas do Brasil e dos Estados Unidos podem manter diálogos para facilitar um entendimento que beneficie ambos os lados. Nesse contexto, ele sugeriu a possibilidade de constituir um grupo de trabalho específico, caso seja necessário, para aprofundar as discussões e acelerar o processo de flexibilização tarifária.
A previsão revisada pelo Ministério da Economia para o superávit de 2025 reflete um cenário de menor ganho nas exportações, além de um arrefecimento nos preços internacionais de commodities, fatores que impactaram a projeção inicial de US$ 90 bilhões feita em julho. Ainda assim, o saldo previsto para 2025 representa um crescimento de aproximadamente 24% em relação ao saldo de US$ 68,1 bilhões registrado em 2024, e figuraria como o segundo maior resultado da série histórica, ficando atrás apenas do saldo de 2023.
Dessa forma, o governo mantém uma perspectiva de forte desempenho na balança comercial brasileira nos próximos anos, apoiada na diversificação de mercados e na expectativa de avanços nas negociações comerciais internacionais. O cenário reforça a importância de estratégias que minimizem os efeitos de medidas protecionistas e de instabilidades no mercado global, garantindo a continuidade do crescimento do superávit comercial do país.