O próximo governo brasileiro, eleito em 2026, enfrentará um cenário econômico marcado por desafios de grande magnitude, incluindo o crescimento da dívida pública, restrições orçamentárias, necessidade de reformas estruturais e baixa produtividade. Esses fatores representam obstáculos significativos para a estabilidade fiscal e o desenvolvimento sustentável do país.
Um dos principais e mais urgentes problemas é o controle do aumento da dívida pública brasileira. Apesar de a relação dívida/PIB ainda estar abaixo de 100%, atualmente em torno de 82,9%, ela vem crescendo nos últimos anos, o que preocupa analistas e autoridades econômicas. A dívida total do país, que inclui o governo federal, estados, municípios, estatais e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ultrapassa R$ 11 trilhões. O custo médio anual dos juros pagos por essa dívida é de aproximadamente 13,05%, o que representa uma despesa superior a R$ 800 bilhões somente em 2023. Além disso, 58% dessa dívida estão atrelados à taxa Selic, o que torna a política fiscal altamente dependente das decisões do Banco Central, especialmente em momentos de elevação da taxa básica de juros.
Outro desafio relevante é o chamado “esmagamento do orçamento”, uma situação em que mais de 90% dos recursos públicos são classificados como obrigatórios, como despesas previdenciárias, de saúde e educação. Essa alta porcentagem limita a capacidade do governo e do Congresso Nacional de realizar ajustes ou investir em áreas prioritárias. Como consequência, agências reguladoras operam com orçamentos reduzidos, alguns chegando a interromper programas de fiscalização por falta de recursos ou de servidores públicos, o que pode comprometer a efetividade das ações regulatórias e de fiscalização.
A implementação da reforma tributária é considerada uma prioridade para a próxima gestão. A partir de 2027, inicia-se um período de transição para substituição de impostos como o ICMS pelos novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Essa mudança visa simplificar o sistema fiscal, mas também traz riscos de saltos tributários abruptos em determinados setores e exige atenção à manutenção do sistema de créditos tributários ao longo da cadeia produtiva. Além disso, a definição definitiva da alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e a regulamentação do imposto seletivo permanecem pendências que precisarão ser resolvidas na nova gestão.
Outro aspecto estratégico é o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, além de reservas expressivas de cobre, cobalto e níquel, minerais essenciais para a produção tecnológica e de energia renovável. Contudo, o potencial ainda pouco explorado requer regulamentação e investimentos para que o país possa aproveitar essa vantagem competitiva no mercado global de recursos minerais.
A baixa produtividade da economia brasileira também representa um obstáculo estrutural. Quando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ultrapassa a marca de 2%, há uma tendência a gerar pressão inflacionária, o que, por sua vez, leva ao aumento dos juros. Esse ciclo limita o potencial de crescimento sustentável e aumenta a vulnerabilidade da economia às oscilações externas.
Por fim, o cenário internacional de inflação elevada, com taxas de juros altas na Europa, Estados Unidos e Japão, reforça a pressão sobre o Brasil. Essas condições dificultam a captação de recursos e o investimento estrangeiro, impactando a capacidade do país de expandir sua economia de forma equilibrada. Assim, a próxima gestão terá que lidar com um conjunto de fatores complexos que exigem planejamento estratégico e políticas econômicas coordenadas para garantir a estabilidade e o crescimento sustentado do país.