O mercado financeiro brasileiro iniciou o mês de outubro com desempenho negativo, refletindo a expectativa dos investidores em relação ao primeiro turno das eleições presidenciais que acontecerá na próxima semana. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, operava às 12h45 com uma queda de 0,67%, situando-se em torno de 185 mil pontos após uma abertura em alta. O contrato futuro do índice, com vencimento em 14 de outubro, também apresentava recuo de 0,84%, sinalizando cautela no mercado diante do cenário eleitoral.
Simultaneamente, o dólar comercial apresentava forte valorização frente ao real, subindo 1,12% na mesma hora, cotado a R$ 5,2335 na venda. No dia anterior, a moeda americana havia encerrado o pregão com uma queda de 0,76%, negociada a R$ 5,1735. A alta do dólar é atribuída ao fortalecimento da moeda norte-americana em relação a outras divisas de países emergentes, influenciada por tensões globais, especialmente relacionadas à guerra no Oriente Médio, que continuam a gerar incertezas nos mercados internacionais.
No cenário doméstico, uma nova pesquisa do Datafolha, divulgada no início da noite, deve fornecer novos elementos para a corrida presidencial, que tem mobilizado os investidores e os eleitores. A expectativa em torno do levantamento aumenta à medida que o país se aproxima do dia da votação, marcada para o próximo domingo, 8 de outubro. A proximidade do pleito também reforça a volatilidade do mercado, com investidores atentos às possíveis mudanças de cenários políticos.
Outro fator de atenção é o indicador macroeconômico divulgado nesta quinta-feira, o PMI Industrial, que revelou uma forte contração na atividade do setor no Brasil. Segundo o levantamento realizado pelo S&P Global, o índice atingiu seu nível mais baixo em quase três anos e meio, refletindo uma demanda interna enfraquecida e uma deterioração na produção industrial. Tal dado reforça preocupações sobre o ritmo de recuperação da economia brasileira, que vem enfrentando desafios estruturais e de curto prazo.
No cenário internacional, os títulos de dívida de países considerados seguros sofreram mais uma rodada de vendas, pressionando os custos de financiamento globalmente. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, assim como de países como França e Japão, atingiram níveis não observados há décadas, contribuindo para uma maior instabilidade nos mercados de ações e de câmbio ao redor do mundo. Nesse contexto, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) no Brasil permaneceram estáveis, com rendimento de 13,575%, influenciadas também pelo movimento de alta no preço do petróleo.
O mercado de commodities também apresentou alta significativa nesta quinta-feira. O petróleo Brent, referência para o mercado europeu, avançou 3,60%, cotado a US$ 101,60 por barril, após uma recuperação após a perda momentânea de US$ 100 durante a manhã. O petróleo WTI, referência para os Estados Unidos, subiu 2,43%, negociado a US$ 92,60 por barril. Os preços do petróleo reagiram às notícias de ataques recorrentes no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo, além do aumento das exportações na região, que sustentam a alta dos preços.
Esses fatores, combinados às incertezas políticas internas e ao cenário internacional de instabilidade financeira, continuam a influenciar o movimento dos mercados nesta primeira sessão de outubro, refletindo a complexidade do momento econômico e político global e local.