O mercado de metais preciosos encerrou o pregão desta quarta-feira, dia 30 de outubro, com o ouro em alta, ampliando os ganhos observados na sessão anterior. Essa valorização ocorreu após a divulgação do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que revelou uma inflação abaixo das projeções dos analistas, influenciando as expectativas do mercado sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed). Apesar do movimento positivo no dia, o ouro acumula uma queda significativa no mês de setembro, refletindo as incertezas que pairam sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, especialmente com a aproximação da divulgação do relatório de empregos (payroll), previsto para a próxima sexta-feira.
Na divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), conhecida como Comex, o contrato de ouro para dezembro fechou com uma alta de 0,16%, cotado a US$ 4.186,70 por onça-troy. Em contrapartida, a prata para o mesmo mês apresentou uma retração de 0,95%, encerrando a sessão a US$ 60,566 por onça-troy. No mês de setembro, o ouro sofreu uma desvalorização de 6,5%, enquanto a prata recuou 9,5%, refletindo a volatilidade do mercado de metais preciosos diante do cenário macroeconômico global.
A publicação do Departamento do Comércio dos Estados Unidos nesta quarta-feira foi um fator determinante para o movimento de alta do ouro. Os dados indicaram uma inflação abaixo das expectativas de analistas, o que levou o mercado a ajustar suas apostas quanto à decisão do Fed de manter ou elevar as taxas de juros na próxima reunião. A expectativa de que o banco central americano possa adiar ou até mesmo suspender uma nova alta de juros impulsionou o ouro a atingir a máxima do dia de US$ 4.251,10 por onça-troy.
Entretanto, o cenário permanece de incerteza, uma vez que diferentes instituições financeiras e consultorias divergem quanto ao próximo movimento do Federal Reserve. A Capital Economics defende que o banco central deve manter a política monetária inalterada em outubro, enquanto o CIBC projeta um aperto, ou seja, uma nova elevação das taxas. Essa divergência de opiniões limita o potencial de valorização do ouro no curto prazo.
Especialistas do Commerzbank alertam que uma queda do ouro para valores próximos a US$ 4.000 por onça-troy, ou até abaixo dessa marca, é possível dependendo das sinalizações do Fed. No entanto, esses analistas também destacam que o preço do metal permanece “bem sustentado” e que uma recuperação é provável após o período de fraqueza, especialmente se as próximas divulgações econômicas confirmarem o cenário de estabilidade ou desaceleração da inflação.
Para o banco de investimentos ING, as atenções estão voltadas para o relatório de empregos (payroll), que será divulgado nesta sexta-feira, dia 2 de novembro, e que deve fornecer pistas adicionais sobre a trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos. Enquanto isso, a incerteza quanto a um possível diálogo entre Washington e Teerã para encerrar o conflito no Oriente Médio mantém o petróleo em alta, o que, por sua vez, exerce pressão sobre os preços do ouro, limitando avanços adicionais na cotação da commodity.
A conjuntura global, portanto, permanece marcada por fatores que influenciam o mercado de metais preciosos de forma complexa e interligada, com dados econômicos, expectativas de política monetária e tensões geopolíticas contribuindo para a volatilidade observada nos preços do ouro e da prata.