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Bertha Lutz, pioneira na defesa dos direitos femininos e na ciência, completaria 129 anos em 2023

Bertha Lutz, reconhecida por sua atuação na luta pelos direitos das mulheres e por suas contribuições à ciência, completaria 129 anos em 2023. Sua trajetória, marcada por pioneirismo e dedicação, teve início em 1894, em São Paulo, e se estendeu por uma vida dedicada à promoção da igualdade de gênero, à pesquisa científica e ao serviço público. Ela faleceu há 50 anos, em 16 de setembro de 1976, deixando um legado que permanece relevante na história do feminismo e da ciência brasileira.

Bertha Lutz iniciou sua carreira profissional no setor de zoologia do Instituto Oswaldo Cruz, atualmente conhecido como Fiocruz, em 1918, onde trabalhou como tradutora e posteriormente se destacou como pesquisadora. Sua atuação no campo científico foi marcada pela catalogação de novas espécies de anfíbios, contribuindo significativamente para o avanço da zoologia no Brasil. Além de sua dedicação à pesquisa, Bertha foi uma figura de destaque na defesa dos direitos civis e políticos das mulheres, tendo fundado a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher em 1919, uma das primeiras organizações voltadas à promoção da educação e do protagonismo feminino no país.

Durante a década de 1920, Bertha ampliou sua atuação internacionalmente, representando o Brasil na assembleia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos, em 1922, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. De volta ao Brasil, fundou a Federação Brasileira para o Progresso Feminino, iniciando uma intensa luta pelo direito ao voto feminino, que culminou na sua participação em eventos internacionais e na organização de conferências voltadas às questões de gênero e direitos civis. Nesse período, ela também conseguiu avanços concretos, como a inclusão de meninas no Colégio Pedro II, em 1922, após sua participação na Conferência Internacional da Mulher, realizada em Roma.

No âmbito político, Bertha Lutz foi uma das primeiras mulheres brasileiras a se candidatar a uma vaga na Câmara dos Deputados, em 1934, pelo Partido Autonomista do Distrito Federal. Ela conquistou a suplência e, posteriormente, assumiu uma cadeira na legislatura em 1936, após a morte do titular. Em seu mandato, defendeu a igualdade salarial, a licença-maternidade de três meses sem prejuízo de vencimentos, a redução da jornada de trabalho para 8 horas e a isenção do serviço militar feminino, além de apresentar projetos para o combate à lepra e à malária. Sua atuação parlamentar ocorreu até novembro de 1937, quando o Estado Novo, sob o regime autoritário de Getúlio Vargas, dissolveu os órgãos legislativos.

Além do trabalho legislativo, Bertha representou o Brasil em conferências internacionais, como as realizadas nos Estados Unidos e na Liga das Nações, atuando em questões relacionadas às condições de trabalho feminino. Ela também foi aposentada compulsoriamente do Museu Nacional em 1964, após décadas de dedicação à instituição. Em 1975, participou da Conferência Mundial da Mulher, promovida pela Organização das Nações Unidas no México, como parte da delegação brasileira.

Filha do médico e cientista Adolfo Lutz, fundador da medicina tropical e da zoologia médica no Brasil, e de Amy Fowler Lutz, Bertha nunca se casou nem teve filhos, dedicando toda a sua vida ao avanço científico, à causa feminista e ao serviço público. Sua morte, aos 82 anos, foi consequência de uma aterosclerose, e seu sepultamento ocorreu no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, sendo homenageada por diversas gerações de mulheres e cientistas. Anualmente, o Senado Federal concede o Diploma Bertha Lutz a indivíduos que se destacam na defesa das questões de gênero, perpetuando o reconhecimento de sua contribuição para a história do Brasil.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade