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Pesquisa aponta que 94% das mulheres brasileiras se sentem inseguras diante da violência no país

•Macio Ferreira/ AG Belém

Uma pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, revelou que pelo menos 94% das mulheres no Brasil se sentem inseguras em relação à violência que permeia o cotidiano no país. O levantamento, intitulado “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre violência”, evidencia que o medo de sofrer algum tipo de violência influencia significativamente os hábitos, deslocamentos e decisões diárias das brasileiras.

A pesquisa, que contou com a participação de 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do Brasil, foi conduzida de forma digital entre os dias 22 e 30 de abril de 2026, apresentando uma margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Os dados mostram que a sensação de insegurança é compartilhada por 84% dos homens, embora a percepção de vulnerabilidade seja maior entre as mulheres, especialmente em relação às formas de violência doméstica, sexual, psicológica e física.

No que diz respeito à mobilidade urbana, a diferença na percepção de medo entre os gêneros é menor: 94% das mulheres e 90% dos homens afirmam sentir medo ao se deslocarem pela cidade. Além disso, a percepção de vulnerabilidade é reforçada pela visão social de que as mulheres são mais suscetíveis a diferentes tipos de violência. Como resultado, o medo se manifesta em diversos espaços públicos, como bares, festas, baladas, pontos de ônibus e estações de transporte, onde 41%, 42% e 33% das mulheres, respectivamente, relatam não se sentirem seguras. Os furtos e roubos também representam preocupações constantes para a população feminina.

A insegurança específica relacionada às violências de gênero é particularmente alarmante. A pesquisa aponta que 60% das mulheres temem a violência doméstica, uma das principais formas de agressão contra elas no país. Esse temor leva muitas a modificarem seus comportamentos habituais, limitando atividades de lazer, deslocamentos, oportunidades de trabalho e estudo. Dados indicam que 62% das brasileiras já mudaram seus hábitos de lazer para evitar riscos, enquanto 58% deixaram de frequentar lugares que gostavam e 56% optaram por meios de transporte diferentes de caminhar, mesmo em trajetos próximos.

A influência da insegurança também se estende ao âmbito profissional e acadêmico, com 45% das mulheres afirmando que já deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo por medo da violência. Além disso, 44% consideraram mudar de bairro ou cidade com o objetivo de aumentar sua segurança. Quase todas as entrevistadas (98%) adotam ao menos uma estratégia para reduzir o risco de violência no cotidiano, sendo a mais comum evitar determinados locais, citada por 90%. Outras práticas incluem não compartilhar informações pessoais nas redes sociais, evitar usar o celular na rua, avisar alguém sobre seus deslocamentos e evitar sair à noite.

Segundo Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, o medo de violência é alimentado por experiências concretas vividas pelas próprias mulheres ou por relatos de pessoas próximas, o que reforça a sensação de vulnerabilidade. Ela destaca que, embora os homens também sintam insegurança, as experiências de risco diferem entre os gêneros. “Na prática, mulheres e homens não vivem a cidade da mesma maneira, já que, para as mulheres, o acesso aos espaços e às oportunidades é constantemente condicionado pela preocupação com a própria segurança”, afirma.

No que se refere à atuação das instituições na prevenção e combate à violência, a pesquisa aponta uma avaliação negativa por parte da maioria das mulheres. 73% delas criticaram a atuação das polícias Militar e Civil, enquanto 69% apontaram deficiências por parte do governo federal e estadual. Os municípios receberam avaliação negativa de 66% das entrevistadas. Além disso, a maioria considera que há necessidade de ampliar os canais de denúncia e apoio às vítimas, citados por 95%, além de melhorar a infraestrutura urbana, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos, apontados por 93%.

A percepção de que a violência contra as mulheres deve ser prioridade também influencia as decisões eleitorais, com 78% das entrevistadas afirmando que propostas de enfrentamento à violência e ao assédio nas ruas e no transporte público devem pesar na escolha do voto.

A pesquisa foi realizada entre 22 e 30 de abril de 2026, com uma amostra representativa da população brasileira, reforçando a urgência de políticas públicas eficazes para garantir a segurança das mulheres no país.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade