O setor de delivery no Brasil alcançou uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 167 bilhões em 2025, representando cerca de 0,70% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, de acordo com dados divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Os números foram apresentados nesta quarta-feira (16) durante o evento iFood Move, realizado na São Paulo Expo, na capital paulista, que reuniu representantes de diversos segmentos, incluindo restaurantes, varejo e empresas de conveniência.
A relevância do setor de delivery na economia brasileira tem crescido de forma significativa nos últimos anos, impulsionada por mudanças nos hábitos de consumo e avanços tecnológicos. Segundo o levantamento, o volume de recursos movimentados demonstra a importância estratégica do segmento, que se consolidou como uma das principais vias de acesso ao mercado de alimentos e produtos diversos, especialmente em um cenário de maior competitividade e transformação digital.
Durante o evento, o CEO do iFood, Diego Barreto, abordou os desafios enfrentados pelas empresas do setor diante do aumento da concorrência e das mudanças no comportamento do consumidor. Em entrevista à CNN, Barreto destacou que o crescimento do segmento depende de fatores como a inovação na experiência oferecida ao cliente e a diversificação dos canais de venda. Ele ressaltou que, atualmente, é mais fácil do que há cinco anos criar diferenciais competitivos, devido à maior disponibilidade de recursos e tecnologias. Segundo ele, “o produto precisa ser diferenciado, assim como a experiência que se oferece ao cliente. Além disso, é fundamental construir novos canais de distribuição para ampliar o alcance e a eficiência das operações.”
O evento, que segue até quinta-feira (17), reúne cerca de 12 mil participantes e conta com mais de 150 palestrantes, além de 49 marcas presentes. Entre os temas em discussão, estão as mudanças na logística de entregas, o uso de inteligência artificial nos negócios, e os efeitos do cenário econômico sobre o comportamento de consumo. Essas discussões refletem a crescente importância de inovação e adaptação para o setor de delivery manter sua expansão e competitividade.
Outro destaque do encontro foi a participação do projeto Voz das Comunidades, que trouxe cinco empreendedores do Complexo do Alemão e de outras favelas do Rio de Janeiro. Essas iniciativas desenvolvem trabalhos de gastronomia dentro das comunidades, evidenciando uma mudança na percepção sobre as favelas como espaço apenas de consumo, para também serem reconhecidas como polos de produção e empreendedorismo. Segundo Rene Silva, fundador do Voz das Comunidades, “isso é muito importante, principalmente porque as favelas começam a ser enxergadas não só como público consumidor, mas também como um público produtor, um ecossistema de empreendedores, de negócios e de gastronomia. A favela passa a ser vista como uma grande potência, e não somente como uma área de consumo.”
A movimentação financeira do setor de delivery demonstra sua crescente relevância na economia brasileira, refletindo tanto a ampliação do mercado quanto a transformação digital que impulsiona a inovação e a competitividade. A participação de iniciativas de comunidades tradicionais reforça a diversificação do perfil de empreendedores envolvidos nesse segmento, contribuindo para uma visão mais inclusiva e sustentável do setor.