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Crescimento de golpes digitais no Brasil utiliza estratégias de medo e tecnologia avançada para enganar vítimas

•derli_lopez/Pixabay

Especialistas e autoridades de segurança alertam para o aumento na sofisticação e na quantidade de golpes digitais praticados no Brasil, que se valem de estratégias que exploram emoções como medo, urgência e ganância, além do uso de tecnologias avançadas, como inteligência artificial (IA), para enganar vítimas de forma cada vez mais eficaz.

De acordo com investigadores da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) da Polícia Civil de São Paulo, os criminosos organizam seus golpes de maneira estruturada, com roteiros específicos que se adaptam às características de cada vítima. Antes de realizar as fraudes, esses grupos costumam montar listas com nomes, dados pessoais e informações relevantes, permitindo uma abordagem personalizada que aumenta as chances de sucesso. Os golpes, cujo objetivo principal é o prejuízo financeiro, geralmente envolvem situações de urgência, como supostos sequestros, problemas bancários ou oportunidades de ganho rápido, que levam as vítimas a agirem sem reflexão.

Os métodos utilizados pelos criminosos têm se tornado cada vez mais sofisticados. Entre as táticas recentes, destacam-se o envio de links falsos capazes de roubar dados bancários e informações sensíveis, além do uso de vozes hiper-realistas criadas por IA, que simulam familiares ou pessoas próximas em situações de perigo, aumentando a sensação de urgência e o grau de manipulação. Essa combinação de recursos tecnológicos e estratégias emocionais tem potencial para fazer com que as vítimas ajam de forma automática, muitas vezes sem perceber o risco.

Dados recentes reforçam a gravidade da situação. Segundo o relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, divulgado pela Global Anti-Scam Alliance (GASA), cada brasileiro adulto foi alvo, em média, de 201,6 tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026. No total, foram cerca de 34 bilhões de abordagens fraudulentas, que resultaram na perda de aproximadamente 16,5 milhões de pessoas, com prejuízos que somaram R$ 21,2 bilhões. Isso equivale a uma média de aproximadamente R$ 1.287 por vítima, valor que representa cerca de 79,3% de um salário mínimo vigente em 2026.

A Polícia Federal, por meio da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (Diciber), revela que São Paulo lidera o número de operações contra esses delitos. Entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, foram realizadas 96 ações policiais relacionadas a crimes cibernéticos, indicando a crescente preocupação das autoridades com a expansão dessas práticas ilícitas no estado.

O delegado Paulo Barbosa destaca que o uso de IA tem contribuído para a ampliação da capacidade dos criminosos de criar ambientes falsificados e convencer as vítimas a agir no impulso. Segundo ele, essa tecnologia permite que os golpistas explorem emoções de medo, vantagem e perigo iminente, levando as pessoas a tomarem decisões automáticas, sem a devida reflexão.

Além disso, os golpes também se adaptam às datas comemorativas e períodos de maior consumo, como a Black Friday, quando sites falsos de comércio eletrônico se aproveitam da alta demanda por descontos para atrair consumidores e aplicar fraudes. Outra estratégia comum é a criação de falsas centrais bancárias, onde criminosos se passam por gerentes de agências para obter dados bancários e realizar furtos de forma rápida.

As redes sociais também figuram entre os canais utilizados pelos golpistas. Segundo o relatório da GASA, em 2025, o WhatsApp foi responsável por 64% das fraudes financeiras, seguido pelo Gmail (32%) e Instagram (22%). Os criminosos também se valem de fotos de pessoas conhecidas, enviadas por aplicativos de mensagens, para solicitar dinheiro de forma fraudulenta.

A polícia reforça a importância de os cidadãos desconfiar de ações suspeitas, sobretudo em rotinas agitada e momentos de urgência. Em caso de suspeita de golpe, recomenda-se agir rapidamente, bloqueando movimentações bancárias e solicitando a devolução de valores via mecanismos específicos, como o Med (Mecanismo Especial de Devolução). Além disso, é fundamental guardar todas as provas possíveis, como prints, mensagens e fotos, para auxiliar nas investigações policiais.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade