A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou nesta quarta-feira, 16 de outubro, seu apoio à recomendação de laboratórios de inteligência artificial (IA) dos Estados Unidos de estabelecer uma pausa no avanço tecnológico da área. Durante seu discurso anual ao Parlamento Europeu, realizado em Estrasburgo, ela afirmou que convidará os principais laboratórios do setor para um diálogo sobre medidas que possam mitigar os riscos associados à rápida evolução da inteligência artificial.
A postura de von der Leyen contrasta com a de autoridades norte-americanas, incluindo o presidente Donald Trump, que minimizou as preocupações relacionadas à segurança e aos perigos potenciais da IA. A discussão sobre os riscos da tecnologia ganhou força após declarações de pesquisadores do setor, como Jacob Coxon, ex-funcionário da OpenAI e atual integrante da Anthropic, que renunciou ao cargo para denunciar a corrida desenfreada por uma superinteligência autoaperfeiçoável, sem a devida responsabilidade.
Coxon acusou tanto a Anthropic quanto a OpenAI de avançar de forma irresponsável na direção de uma inteligência artificial que se aprimora de maneira autônoma, potencialmente sem considerar os riscos de segurança. Na mesma linha, Dario Amodei, CEO da Anthropic, na semana anterior, pediu às empresas de IA que reduzissem o ritmo de desenvolvimento de seus modelos, recebendo apoio de figuras como Elon Musk, responsável pela xAI, e Sam Altman, CEO da OpenAI. Ambos defendem uma desaceleração para evitar possíveis ataques cibernéticos e outros perigos decorrentes de tecnologias cada vez mais capazes.
Von der Leyen destacou que, à medida que os modelos de ponta se tornam mais avançados, os riscos associados aumentam significativamente. Ela alertou que esses sistemas podem facilitar ataques de hackers em níveis inéditos e que, em breve, estarão nas mãos de adversários com visões de mundo radicalmente diferentes das democracias ocidentais. Para ilustrar a gravidade do cenário, citou incidentes recentes envolvendo agentes de IA considerados rebeldes e alertas emitidos por desenvolvedores sobre possíveis falhas de segurança.
A líder europeia reforçou a importância de uma regulamentação rigorosa, lembrando que as regras recentemente adotadas pela União Europeia colocam o bloco em uma posição de liderança na formulação de diretrizes globais para o uso responsável da IA. Ela afirmou que a Europa pretende colaborar com países que compartilham de uma visão similar, como Canadá e Reino Unido, para implementar medidas de avaliação, verificação de modelos e segurança em IA.
Além de sua posição sobre o desenvolvimento da tecnologia, von der Leyen anunciou que convocará os principais laboratórios do setor para discutir formas de apoiar esforços que controlem o ritmo da inovação. Ela também anunciou propostas de restrições ao uso de redes sociais por crianças menores de 13 anos e a proibição de contas pessoais para menores de 15 anos, com o objetivo de garantir maior segurança às plataformas digitais, cujo detalhamento será divulgado na quinta-feira, 17 de outubro.