O mercado imobiliário da cidade de São Paulo apresentou crescimento significativo tanto nas vendas quanto nos lançamentos de imóveis residenciais novos durante o mês de julho, conforme dados divulgados pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) nesta terça-feira, dia 15. Os números indicam uma recuperação e expansão do setor, impulsionadas principalmente pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
No mês de julho, as vendas de imóveis residenciais novos atingiram 10,3 mil unidades, representando um aumento de 67,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram comercializadas aproximadamente 6,2 mil unidades. No acumulado dos últimos 12 meses, a comercialização totalizou 118,1 mil unidades, um incremento de 6% na comparação com o período anterior, indicando uma estabilidade relativa na demanda de imóveis novos ao longo do tempo.
A velocidade de vendas, que mede a proporção de unidades vendidas em relação ao estoque disponível, ficou em 56,3% em julho, um recuo em relação ao patamar de 62,5% registrado no mesmo mês de 2022. Este indicador sugere que, embora as vendas tenham crescido, o ritmo de comercialização está mais moderado, refletindo uma possível maior oferta no mercado.
Os lançamentos de novos empreendimentos também tiveram forte crescimento, com alta de 45,9% na comparação anual, totalizando 8,3 mil unidades em julho. No acumulado dos últimos doze meses, os lançamentos alcançaram 146,3 mil unidades, o que representa uma expansão de 18% em relação ao período anterior. Essa quantidade de unidades lançadas demonstra um esforço de incorporadoras em ampliar a oferta de imóveis na cidade, principalmente na modalidade de empreendimentos na fase de construção ou em projeto.
Outro aspecto relevante é o aumento do estoque de imóveis novos, que cresceu 42% em um ano, atingindo 90,6 mil unidades em julho. A maior parte deste estoque é composta por empreendimentos na planta ou em obras, refletindo uma maior disponibilidade de unidades que ainda não estão prontas para venda.
O forte impulso no setor é atribuído principalmente ao programa habitacional MCMV, que responde por uma parcela significativa das operações. As vendas de imóveis dentro do faixa do programa cresceram 22% nos últimos 12 meses até julho, totalizando 81,7 mil unidades comercializadas. Com esse volume, o MCMV passou a representar cerca de 69% das vendas de imóveis novos na capital paulista, consolidando sua importância no mercado local.
No segmento de lançamentos, os projetos ligados ao MCMV também tiveram alta expressiva de 33%, atingindo 99,6 mil unidades nos últimos doze meses, o que corresponde a 68% do total de lançamentos na cidade. Essa preferência por empreendimentos do programa habitacional evidencia o papel do governo na dinamização do setor imobiliário paulistano.
Por outro lado, o setor de médio e alto padrão enfrenta dificuldades, com recuos nas vendas e lançamentos. Nos últimos 12 meses, as vendas desses imóveis reduziram-se 18%, totalizando 36,5 mil unidades, enquanto os lançamentos encolheram 5%, chegando a 46,7 mil unidades. A alta das taxas de juros, que tem impactado o mercado de financiamento de imóveis de maior valor, é apontada como um dos fatores que contribuem para essa retração.
O estoque de imóveis novos, considerando o ritmo atual de vendas, equivale a aproximadamente oito meses de vendas para o segmento do MCMV, mantendo-se estável. Já no mercado de médio e alto padrão, o estoque corresponde a cerca de 13 meses de vendas, um aumento em relação aos 11 meses registrados em dezembro do ano anterior, indicando uma maior oferta relativa à demanda nesse segmento.
Esses dados refletem uma recuperação do mercado imobiliário de São Paulo, impulsionada principalmente pelo programa habitacional, enquanto setores de maior padrão de imóveis continuam enfrentando desafios relacionados às condições de financiamento e às taxas de juros.