O governo do Reino Unido revelou, nesta quinta-feira (3), a intenção de aportar aproximadamente 400 milhões de euros, o que equivale a mais de 2,7 bilhões de reais, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), criado pelo Brasil. Este mecanismo financeiro internacional foi desenvolvido para oferecer recompensas financeiras a países em desenvolvimento que mantêm suas florestas tropicais de pé, promovendo a conservação e o uso sustentável desses ecossistemas.
Segundo o anúncio, o investimento britânico será realizado por meio de um empréstimo, ao invés de uma doação direta. Essa estratégia visa garantir o melhor custo-benefício para os contribuintes do Reino Unido, ao mesmo tempo em que possibilita o suporte contínuo a ações climáticas e ambientais. A proposta inclui a possibilidade de o governo britânico disponibilizar recursos adicionais para investimentos climáticos, utilizando um orçamento separado para transações financeiras, o que foi anunciado em 22 de julho. Essa realocação de recursos também visa apoiar iniciativas de redução de custos de transporte, como a implementação de limites de 2 euros para passagens de ônibus, facilitando o acesso da população às políticas de assistência social.
O mecanismo do TFFF foi concebido para que os países com florestas não precisem reembolsar o financiamento recebido. Em vez disso, ele funciona com um modelo baseado em desempenho, permitindo que os retornos de investimento sejam gerados a partir do cumprimento de metas de conservação. Assim, os recursos podem ser reembolsados aos investidores, enquanto os países que conseguirem proteger suas florestas tropicalizadas receberão recompensas financeiras, incentivando a preservação contínua desses ecossistemas.
Como condição para o investimento, o Reino Unido busca participação nos mecanismos de supervisão do fundo, o que possibilitará uma atuação conjunta com outros países para promover suas prioridades e interesses. Essa supervisão visa assegurar que os recursos sejam utilizados de forma eficiente e que os resultados esperados sejam alcançados, garantindo a transparência e a efetividade do investimento para os contribuintes britânicos e investidores envolvidos.
Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, destacou a importância dessa iniciativa ao afirmar que o compromisso reforça uma mudança na forma como o mundo valoriza e financia a conservação das florestas tropicais, reconhecendo quem as protege e garantindo recursos de longo prazo para essa finalidade. Ele ressaltou ainda que a inclusão de povos indígenas e comunidades locais como parte central do projeto tem potencial para transformar a conservação em uma agenda de desenvolvimento sustentável.
O Governo do Reino Unido também informou que o investimento ainda está sujeito à análise final de diligência prévia, incluindo uma revisão detalhada do tamanho da iniciativa, dos acordos de crédito, da estrutura financeira e dos termos do empréstimo. Essa fase final visa assegurar que todos os aspectos operacionais e financeiros estejam alinhados com os objetivos de conservação e sustentabilidade.
Dados recentes indicam que a redução na perda de florestas tropicais globais foi impulsionada pelo Brasil. Em 2025, a diminuição da perda de áreas florestais chegou a 36% mundialmente, enquanto no território brasileiro essa redução foi de 42,4%. Apesar dessa melhora, o país ainda perdeu cerca de 1,63 milhão de hectares de florestas primárias no mesmo ano, uma área equivalente a aproximadamente 2,8 vezes o território do Distrito Federal, conforme dados divulgados pela Universidade de Maryland e pelo portal Global Forest Watch nesta quarta-feira (29). Essas informações reforçam a importância de iniciativas internacionais de apoio à preservação das florestas tropicais, especialmente em países como o Brasil, que desempenham papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas.