Uma nova pesquisa realizada pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e divulgada na terça-feira, 1º de novembro, durante o evento Conecta Saúde 2026, em São Paulo, aponta preocupantes níveis de sedentarismo, estresse elevado e prevalência de doenças crônicas entre os trabalhadores do setor industrial brasileiro. O levantamento, intitulado VigIndústria Brasil, evidencia que quase metade desses profissionais não praticam atividades físicas no tempo livre, enquanto uma parcela significativa enfrenta dificuldades para relaxar e lidar com o estresse cotidiano.
De acordo com os dados, 47% dos trabalhadores da indústria não se dedicam a nenhuma atividade física durante seu lazer, contribuindo para um quadro de sedentarismo que aumenta o risco de doenças relacionadas ao estilo de vida. Além disso, cerca de 20,3% dos entrevistados relataram níveis elevados de estresse, e 18,7% afirmaram ter dificuldades para relaxar ou aproveitar o tempo de descanso, sendo que entre os jovens com menos de 30 anos essa proporção sobe para 21%. Esses fatores, combinados, representam uma preocupação significativa para a saúde mental e física dos trabalhadores.
Outro dado relevante do estudo indica que 71% dos entrevistados consomem poucas frutas e hortaliças, o que reforça o cenário de alimentação inadequada no ambiente de trabalho. Além disso, aproximadamente 34% dos trabalhadores passam três horas ou mais por dia em dispositivos eletrônicos — computadores, tablets ou celulares — durante seu tempo de lazer, seja para acessar redes sociais, assistir a vídeos ou jogar. Entre os jovens com menos de 30 anos, esse percentual chega a 48%, o que evidencia o impacto da hiperconexão na rotina desses profissionais.
A especialista em saúde integral do SESI, Georgia Matos, destacou os efeitos nocivos da exposição prolongada às telas, especialmente entre os trabalhadores mais jovens. Ela alertou que esse comportamento pode afetar não apenas o sono, mas também a qualidade dos relacionamentos interpessoais e o nível de estresse, ressaltando a necessidade de atenção por parte das indústrias nesse aspecto.
O estudo, realizado em parceria entre o SESI, o Conselho Nacional do SESI (CN-SESI) e o Ministério da Saúde, busca identificar fatores de risco e necessidades específicas dos trabalhadores para orientar ações de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas. Segundo Georgia Matos, esses dados devem subsidiar a tomada de decisão nas empresas, possibilitando a implementação de programas direcionados às particularidades de cada grupo de trabalhadores.
A pesquisa também revela que a obesidade é a condição crônica mais frequente entre os trabalhadores da indústria, afetando 22,7% da força de trabalho, seguida por problemas de coluna (19%), colesterol alto (17%) e hipertensão (16%). Além disso, a prevalência de doenças como diabetes aumenta conforme a idade, atingindo 5,7% do total, com uma taxa que sobe de 3% entre os menores de 30 anos para 8% na faixa etária mais avançada.
O levantamento reforça a importância de hábitos de vida saudáveis, com recomendações de atividade física regular para adultos, que incluem entre 150 e 300 minutos semanais de exercícios moderados ou entre 75 e 150 minutos de atividades vigorosas, além de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana. O especialista Ricardo de Almeida Sebba, diretor adjunto da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), destacou que a adoção de hábitos sustentáveis é fundamental, mas também ressaltou que as empresas têm papel crucial na criação de condições que favoreçam escolhas mais saudáveis por parte dos trabalhadores.
O estudo foi realizado entre julho e dezembro de 2025, com a participação de 57.952 trabalhadores de 825 empresas do setor industrial, e analisou 33 indicadores distribuídos em seis dimensões: sociodemográfica, comportamentos de risco, bem-estar mental, morbidade, percepção de saúde e cultura de segurança. Os resultados fornecem subsídios importantes para a elaboração de políticas de saúde ocupacional, promovendo ações preventivas e de cuidado mais eficazes.
Segundo o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Junior, o levantamento contribui para orientar a gestão da saúde no ambiente de trabalho, fortalecendo a atuação do Sistema Indústria em parceria com o SUS para ampliar o alcance de ações de promoção, prevenção e cuidado com a saúde dos trabalhadores, especialmente em diferentes regiões do país.