A mais recente edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (27 de agosto) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revela que, entre as 27 unidades federativas do Brasil, apenas três — Alagoas, Mato Grosso e Roraima — apresentam níveis de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) classificados como de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, além de indicarem sinais de crescimento na tendência de longo prazo. Outras oito unidades federativas, embora estejam em níveis semelhantes de alerta, risco ou alto risco, não mostram sinais de aumento na incidência ao longo do tempo. Essas incluem Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Sergipe.
O panorama nacional indica um leve aumento nos casos de SRAG entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, principalmente associado ao rinovírus. Os dados, referentes à Semana Epidemiológica 33, que compreende o período de 16 a 22 de agosto, apontam que o crescimento nesta faixa etária ocorre sem uma causa específica identificada, embora os laboratórios laboratoriais tenham sugerido que o rinovírus seja o principal vírus responsável por esse aumento. Além disso, a redução do número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) tem contribuído para a diminuição dos casos de SRAG em crianças menores de 2 anos, enquanto a queda de casos em outras faixas etárias está relacionada principalmente à redução de hospitalizações por influenza.
Nos estados e capitais, o aumento de SRAG tem sido mais acentuado em Mato Grosso e Roraima, especialmente entre crianças de 2 a 4 anos, enquanto em Alagoas o crescimento tem ocorrido principalmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Apesar da ausência de dados laboratoriais conclusivos sobre os vírus específicos responsáveis por esses aumentos, a análise epidemiológica sugere que o rinovírus, e em menor escala o metapneumovírus, possam estar impulsionando esses números, considerando o cenário nacional e a faixa etária afetada.
No que diz respeito à circulação viral, a temporada de influenza A já foi encerrada no país. Casos graves por influenza B apresentam um leve aumento na Bahia e no Mato Grosso. A incidência de SRAG por vírus sincicial respiratório permanece elevada em Roraima, apesar de uma tendência de queda, e ainda se mantém em níveis altos em estados como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul. Quanto à Covid-19, a incidência está em patamar baixo em todas as unidades federativas.
Dados específicos de monitoramento apontam que, nas últimas quatro semanas epidemiológicas, quatro capitais — Aracaju, Belém, Boa Vista e João Pessoa — apresentaram níveis de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinais de crescimento na tendência de longo prazo. Os principais vírus detectados na circulação recente incluem influenza A (4,4%), influenza B (8,2%), vírus sincicial respiratório (38,7%), rinovírus (38,3%) e Sars-CoV-2 (1,6%). Em relação aos óbitos, a presença dos mesmos vírus entre os casos positivos foi de 16,5% para influenza A, 18% para influenza B, 24% para VSR, 32% para rinovírus e 5,5% para Covid-19.
No ano epidemiológico de 2026, já foram registrados 141.009 casos de SRAG, dos quais 76.126 (54%) tiveram confirmação laboratorial positiva para algum vírus respiratório, enquanto 49.389 (35%) apresentaram resultados negativos e ao menos 7.392 (5,2%) aguardam conclusão de testes laboratoriais. Os dados de positividade para as últimas semanas ainda podem sofrer alterações, devido ao fluxo de notificações e inserções de resultados nos sistemas de vigilância.
Em relação à incidência e mortalidade, observa-se que, nas últimas oito semanas epidemiológicas, o impacto da SRAG tem sido mais severo em extremos das faixas etárias analisadas. Crianças até 2 anos apresentam maior incidência, principalmente relacionada ao VSR, enquanto a mortalidade é mais elevada entre idosos a partir de 65 anos, com causas predominantes sendo influenza A, rinovírus e VSR. Apesar do aumento de casos de SRAG por Covid-19 em algumas regiões, a incidência dessa doença permanece baixa em todas as faixas etárias.
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