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Artistas de diferentes gerações reinterpretam clássicos de Chico Buarque com novas sonoridades

Entre as canções revisitadas estão Construção, Cálice, Roda Viva e Geni e o Zepelim. As novas versões incorporam elementos de rap, trap, funk, R&B, samba, soul e nova MPB (Frame Universal Music)

Um projeto musical que reúne artistas de distintas gerações e estilos da música brasileira promoveu nesta quinta-feira, dia 20 de outubro de 2023, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma releitura de clássicos de Chico Buarque, incorporando elementos contemporâneos de diversos gêneros musicais. A iniciativa, intitulada “Chico 2.0”, foi conduzida por uma parceria entre a Central Única das Favelas (Cufa), a gravadora FRecords, a Tha House Company e a Universal Music Brasil. A produção musical do álbum ficou a cargo de Felipe Poeta e Alê Siqueira, que buscaram criar uma ponte entre a obra do renomado compositor e os sons atuais da música urbana brasileira.

O projeto revisitou canções emblemáticas do repertório de Chico Buarque, como “Construção”, “Cálice”, “Roda Viva” e “Geni e o Zepelim”, apresentando versões que mesclam estilos como rap, trap, funk, R&B, samba, soul e nova MPB. Segundo Felipe Poeta, diretor musical do projeto, a proposta foi inovar sonoramente enquanto mantinha o respeito às harmonias e melodias originais de Chico. A intenção é estabelecer uma conexão entre a história musical do compositor e o público mais jovem, que acompanha as tendências da música urbana.

Entre as faixas reinterpretadas, destaca-se uma versão de “O Que Será (À Flor da Terra)”, interpretada pelos rappers Vandal e Don L, com participações especiais de Milton Nascimento e de Chico Buarque. Vandal, músico nascido em Salvador, expressou sua gratidão por participar do projeto, ressaltando a importância de dividir o palco com nomes de destaque na música brasileira e de interpretar uma faixa ao lado de Milton Nascimento e do próprio Chico Buarque. Ele também destacou a satisfação de dividir esse momento com Don L, artista nordestino que admira.

A iniciativa busca promover a aproximação entre diferentes gerações e territórios da música brasileira, envolvendo nomes como Dexter, MC Livinho, Xênia França, MC Cabelinho, Budah, Júlia Mestre, TZ da Coronel, Tasha & Tracie, Grag Queen, Bela Maria e Maurício Pazz. A ideia de levar a obra de Chico Buarque a novos públicos partiu de diversos articuladores, incluindo Celso Athayde, fundador da Cufa e um dos principais idealizadores do projeto. Athayde reforçou a responsabilidade de preservar a história da música brasileira ao mesmo tempo em que possibilita que a nova geração de artistas e ouvintes ocupe esse espaço com autonomia e qualidade técnica.

Para Athayde, o “Chico 2.0” representa uma continuidade na tradição da música popular brasileira, utilizando linguagens contemporâneas e novos artistas para manter viva a relevância dos clássicos de Chico Buarque. A iniciativa evidencia a importância de valorizar a cultura popular e de promover o diálogo entre diferentes épocas e estilos musicais, garantindo que as histórias e mensagens de Chico permaneçam acessíveis e atuais para o público de hoje.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade