Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Ethos em parceria com o Núcleo de Estudos Raciais do Insper revelou que os custos relacionados à violência no Brasil atingem cerca de R$ 285 bilhões por ano, valor que corresponde a aproximadamente 4,38% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Os dados, apresentados no estudo, evidenciam o impacto econômico substancial decorrente dos diferentes aspectos da violência, abrangendo gastos com segurança pública e privada, sistema prisional, saúde e perdas diretas na capacidade produtiva do país.
O levantamento detalha que esses gastos representam uma parcela significativa do orçamento nacional, além de refletirem o peso social e econômico da violência na rotina brasileira. Entre os fatores considerados estão os custos com policiamento, manutenção de penitenciárias, tratamentos de vítimas de violência e o impacto na produtividade da força de trabalho. Cada jovem vítima de homicídio, por exemplo, é avaliada como uma perda de aproximadamente R$ 550 mil, levando em conta o potencial produtivo que esse indivíduo teria ao longo de sua vida, caso não tivesse sido vítima de violência letal.
Além do impacto direto na economia, o estudo destaca as consequências da violência sobre a força de trabalho, especialmente na juventude. Dados do Atlas da Violência 2026 indicam que, entre 2014 e 2024, o Brasil registrou um total de 301.825 homicídios de pessoas na faixa etária de 15 a 29 anos, o que equivale a uma média de 75 mortes por dia nesse período. Em 2024, especificamente, 19.801 jovens tiveram suas vidas interrompidas por homicídios, com uma taxa de mortalidade de 42,2 por 100 mil habitantes, refletindo a gravidade da situação.
Outro aspecto destacado pelo estudo é o impacto da exclusão social de populações específicas, como a comunidade LGBTQIAPN+. A análise aponta que a marginalização e a discriminação no mercado de trabalho resultam em um prejuízo econômico estimado em R$ 94,4 bilhões anuais. Além disso, a discriminação no ambiente profissional também contribui para a perda de arrecadação tributária, estimada em aproximadamente R$ 14,6 bilhões por ano, devido à menor formalização e ao menor pagamento de impostos por parte de trabalhadores e empresas afetadas por essas desigualdades.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas efetivas para reduzir esses custos sociais e econômicos, além de promover a inclusão social e o combate à violência de forma integrada. Os números apresentados evidenciam que a violência no Brasil não é apenas uma questão de segurança, mas também uma questão econômica de grande relevância, que demanda atenção e ações coordenadas para diminuir seus efeitos devastadores na sociedade.