Os parques e cruzeiros da Disney conquistaram seu melhor desempenho em dois anos no último trimestre, apresentando uma receita 10% superior à do mesmo período de 2022. Este crescimento expressivo ocorre em um momento de queda de público em concorrentes como Universal e Sea World, que enfrentaram retrações de 2,9% na frequência e de 1,4% na receita, respectivamente. A alta na receita da Disney foi acompanhada por um aumento de 4% na frequência global nos parques, além de uma elevação nos gastos por visitante e uma ocupação de 91% nos hotéis domésticos da companhia, números considerados impressionantes diante do cenário competitivo.
Apesar de vídeos de influenciadores digitais mostrando filas curtas e parques vazios, como o Disneyland Resort na Califórnia, a análise do setor indica que tais imagens representam uma percepção distorcida. Segundo especialistas, a Disney adotou uma série de estratégias para atrair visitantes em um período de maior seletividade do consumidor, incluindo promoções segmentadas e ações de valor agregado. No verão norte-americano, por exemplo, a Disney ofereceu ingressos de um dia por apenas US$ 50 para crianças de 3 a 9 anos no Disneyland Resort, valor bastante abaixo da tarifa padrão, que varia de US$ 168 a US$ 279. Na Flórida, crianças dessa faixa etária receberam planos de refeições gratuitos ao adquirirem planos de alimentação para adultos.
Além disso, assinantes do Disney+ tiveram acesso a tarifas especiais de hospedagem, com quartos em hotéis de categoria básica a partir de US$ 99 por noite, enquanto a tarifa padrão variava entre US$ 174 e US$ 225. Essas ações foram consideradas por analistas como uma resposta inteligente às condições do mercado, oferecendo mais opções e valor aos consumidores sem diminuir a experiência. Beci Mahnken, CEO da MEI-Travel e Mouse Fan Travel, destacou que a Disney está ajustando suas estratégias ao ambiente econômico, agregando valor sem recorrer a descontos excessivos.
O CEO da Disney, Josh D’Amaro, minimizou as interpretações de que os descontos indicariam dificuldades financeiras, afirmando que o crescimento da companhia não depende de ofertas promocionais. Em vez disso, a Disney aposta na renovação de atrações existentes e em reformas de baixo custo para estimular visitas repetidas, enquanto projetos de longo prazo, como novas áreas e atrações radicais, continuam em desenvolvimento. Entre as novidades, destacam-se a estreia do espetáculo “Bluey’s Best Day Ever!” no Disneyland, que gerou filas expressivas, e melhorias em atrações clássicas no Walt Disney World, na Flórida, como o Buzz Lightyear’s Space Ranger Spin, o Big Thunder Mountain Railroad e uma nova temática dos Muppets na Rock “n” Roller Coaster.
Segundo porta-voz da Disney, as filas menores observadas não resultaram de menor público, mas de maior eficiência na gestão de filas e manutenção preventiva das atrações, além de uma melhor distribuição do fluxo de visitantes em espaços subutilizados.
Enquanto a Disney celebra resultados positivos, seus concorrentes enfrentam um cenário mais desafiador. A Universal, por exemplo, registrou crescimento de receita de apenas 2,7% no último trimestre, com queda na frequência de seus parques mais antigos em Orlando, atribuída ao sentimento de ceticismo do consumidor e ao aumento nos custos de viagem. A United Parks and Resorts, responsável pelo Sea World e Busch Gardens, também apresentou retração de 2,9% na frequência e de 1,4% na receita.
Em comunicado interno divulgado com exclusividade pela CNN, Thomas Mazloum, presidente da Disney Experiences, revelou que pesquisas de satisfação indicam alta intenção de retorno dos visitantes em quase todos os mercados onde a empresa atua. Para Mahnken, a vantagem competitiva da Disney reside na forte conexão emocional com várias gerações de famílias, que cresceram frequentando os parques e agora desejam proporcionar a mesma experiência às próximas gerações, uma vantagem difícil de ser replicada por seus concorrentes.