Uma análise realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a ausência de ações efetivas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas no Brasil pode resultar em perdas econômicas de aproximadamente R$ 17,1 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do país até o ano de 2050. Além do impacto financeiro, o estudo prevê a possibilidade de eliminação de até 4,4 milhões de empregos, agravando ainda mais os desafios econômicos e sociais enfrentados pela nação.
A pesquisa evidencia a necessidade de investimentos estratégicos na adaptação às mudanças climáticas, ressaltando que essa abordagem é fundamental para assegurar a manutenção da produtividade, a preservação de postos de trabalho e o crescimento econômico sustentável a longo prazo. Segundo Mário Cardoso, gerente de Recursos Naturais da CNI, a compreensão do impacto de eventos extremos vai além da preocupação com a vida humana, envolvendo também a continuidade da sociedade e a estabilidade econômica. Ele explica que a recuperação de municípios após desastres ambientais depende diretamente de fatores como emprego e arrecadação, que muitas vezes estão ligados à presença de empresas locais. “Como você vai fazer depois de um evento climático extremo? Como você volta à realidade após uma catástrofe? A sociedade precisa retornar ao estado anterior, ainda que de forma diferente, mas precisa retomar suas atividades”, afirmou Cardoso.
O estudo também aponta que as regiões mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global no Brasil são o Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Essas áreas apresentam maior risco de sofrerem com eventos climáticos extremos, o que reforça a necessidade de estratégias específicas de adaptação para cada região.
Para Andreia Bonzo, advogada, consultora estratégica em sustentabilidade e integrante do Instituto Brasileiro de Adaptação Climática (IBRAAC), a conscientização das empresas sobre os efeitos das mudanças climáticas na produção é imprescindível. Ela destaca que a gestão de riscos e os impactos financeiros decorrentes de eventos climáticos adversos devem fazer parte do planejamento de qualquer negócio. “Saber lidar com a prospecção de riscos e impactos financeiros é essencial para a sustentabilidade de empresas e setores econômicos”, afirmou Bonzo. Ela reforça a importância de discutir financiamento, setor privado e estratégias de adaptação para garantir uma resposta eficaz às mudanças ambientais que se aceleram no cenário global.
A análise da CNI evidencia que a inação diante das mudanças climáticas pode acarretar consequências econômicas severas para o Brasil, reforçando a urgência de ações coordenadas e investimentos em adaptação para evitar perdas irreparáveis ao desenvolvimento do país.