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‘Temos que voltar a pensar em saúde, e não em doença’, diz sanitarista e professor da USP

Foto:Tiago Queiroz/Estadão

O sanitarista e professor da USP Gonzalo Vecina defendeu nesta quinta-feira, 11, durante o Brasil Adiante a reorganização do sistema de saúde a partir da atenção primária como principal resposta ao avanço do envelhecimento no País.
Para Gonzalo Vecina, o envelhecimento da população deve ensejar, inclusive, novos tipos de políticas públicas. “Vamos ter que ter um Estado com uma relação diferente com os velhinhos. Vamos ter que criar uma estrutura de cuidadores, centros de convivência”, disse o especialista.
Ao discutir os desafios do envelhecimento da população, o especialista defendeu mudanças na governança do sistema de saúde e maior integração entre os entes federativos. Segundo ele, os municípios precisam ser vistos como parte da solução, já que concentram a oferta de serviços e estão mais próximos da população.
“É no município que as pessoas moram. O município faz parte da solução”, afirmou. Para o sanitarista, o País precisa construir “um novo modelo de governança” capaz de coordenar melhor as responsabilidades entre União, Estados e municípios.
Para Gonzalo Vecina, um dos principais entraves do sistema de saúde é a falta de coordenação entre as redes municipais e estaduais. “A rede municipal que trabalha com a rede estadual não conversa, trabalham paralelamente”, afirmou. Como alternativa, o sanitarista defendeu a criação de consórcios intermunicipais com participação dos governos estaduais. Segundo ele, esse modelo permitiria construir uma governança mais integrada e eficiente para a gestão dos serviços de saúde.
Para o especialista, o debate sobre financiamento da saúde não deve se limitar à ampliação de recursos. “Menos dinheiro não. Nem quero propor mais dinheiro porque acho que não vai vir”, disse.
Ao comentar os modelos de contratação na saúde, Gonzalo defendeu que o foco do debate esteja na entrega de serviços à população, e não na natureza do vínculo trabalhista. “A sociedade quer consulta, exame, internação, não quer saber se é o Estado ou um PJ que fez”, afirmou. Segundo ele, é necessário criar indicadores que permitam avaliar os resultados oferecidos à população.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer chegou a 76,6 anos em 2024. Em 1940, início da série histórica, era de 45,5 anos. Com uma população mais jovem, boa parte da demanda se concentra em pré-natal, parto, vacinação, pediatria, acidentes, infecções e condições agudas.
Em uma população mais envelhecida, cresce a prevalência de doenças crônicas, que exigem consultas e exames recorrentes, medicamentos de uso contínuo, reabilitação e tratamentos caros por períodos prolongados.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade