A ponte de ferro maciço de 20 metros de comprimento, originalmente localizada no Campo das Vertentes e que estava desaparecida desde a última sexta-feira (5), foi encontrada nesta quarta-feira (10), em uma fazenda no distrito de Mongol, zona rural do município de Lima Duarte, na Zona da mata mineira.
Informações obtidas pela Itatiaia apontam que a ponte havia sido vendida por cerca de R$700 mil reais para o proprietário da fazenda. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga o caso e confirmou que a ponte foi encontrada.
A instituição instaurou um inquérito para apurar o desaparecimento da ponte e informou seguirá com os trabalhos para verificar a possível venda do objeto que é considerado histórico.
A ponte, inaugurada no século XIX, faz parte de um trecho desativado da malha da Estrada de Ferro Oeste de Minas e veio da Inglaterra para o Brasil no ano de 1850. De acordo com a Prefeitura de Prado, a ponte ficava localizada na região conhecida como “58”, entre a comunidade da Estação de Prados e a Envernada, nas proximidades da BR-265
“A estrutura, pertencente ao antigo trecho da Ferrovia Oeste de Minas e atualmente sem utilização ferroviária, possuía valor histórico para o município e era frequentemente utilizada por ciclistas que percorrem o antigo leito da ferrovia”, informou o Executivo municipal.
Informações preliminares, divulgadas pela Polícia Civil antes da localização da ponte, apontam que os autores da retirada da ponte teriam utilizado maquinário e ferramentas apropriadas para o corte da estrutura metálica, bem como veículo de grande porte para o transporte do material. Nos levantamentos, também foi constatado que a estrada de acesso ao local onde a ponte estava foi obstruída, o que pode indicar planejamento prévio da ação criminosa.
Cleiton Lima, responsável pelo setor jurídico da Prefeitura de Prados, disse à Itatiaia que somente a investigação vai apontar se a ponte foi furtada ou vendida de maneira ilegal, já que pertence ao patrimônio da União. “O evento, provavelmente, não se refere a um possível furto, e sim a uma alienação feita por determinada pessoa de Prados”, que teria vendido a estrutura a um terceiro.
Cleiton reforça que a estrutura “está patrimoniada no serviço de patrimônio da União”, o que deve atrair a “competência da Polícia Federal” para o caso. Ele ainda destacou: “Não é porque um aparato desse se encontra eventualmente num imóvel particular que automaticamente o proprietário desse imóvel passe a ter a propriedade dessa ponte, pois a União detém a posse e a propriedade efetiva”, ressaltou.
O advogado destacou ainda que, se confirmada, a situação é descrita juridicamente como uma “alienação a non domino”, ou seja, uma venda realizada por quem não é o dono efetivo, conduta que configura estelionato.
Apesar da gravidade, Cleiton faz ressalvas quanto ao estágio atual das apurações: “Não há qualquer imputação de crime a quem quer que seja” neste momento, e o caso segue para um “inquérito policial onde vão ser apuradas as circunstâncias em que essa alienação efetivamente aconteceu”.
Ponte de 20 metros que havia desaparecido em MG é encontrada em fazenda