Uma descoberta intrigante no sangue das pítons pode abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de medicamentos contra a obesidade. Cientistas da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, identificaram uma molécula que atua como um inibidor do apetite, oferecendo insights para a criação de tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.
O estudo, divulgado na revista Nature Metabolism na última quinta-feira (19/3), analisou o sangue das serpentes após suas refeições. As pítons são conhecidas por se alimentarem de presas grandes e por conseguirem passar longos períodos sem ingerir alimento, mantendo um equilíbrio metabólico mesmo após consumirem grandes quantidades.
Durante a investigação desse comportamento, os pesquisadores descobriram centenas de substâncias que aumentam no sangue após a alimentação. Uma molécula em particular, chamada para-tiramina-O-sulfato (pTOS), destacou-se por seu aumento significativo e por sua potencial influência no controle do apetite.
Experimentos laboratoriais revelaram que essa substância pode atuar diretamente no cérebro, especificamente em áreas relacionadas à regulação da fome. Nos testes realizados com camundongos, a aplicação da molécula resultou em diminuição da ingestão alimentar e perda de peso.
Os resultados são notáveis, pois ocorreram sem os efeitos indesejados frequentemente associados a medicamentos de emagrecimento, como náuseas, diminuição da massa muscular ou fadiga.
Os pesquisadores esclarecem que a molécula é gerada pela ação de bactérias intestinais das serpentes após a digestão. Embora também esteja presente em humanos, suas concentrações são muito mais baixas, e seu estudo ainda é incipiente.
O interesse científico reside em compreender como esse mecanismo pode ser adaptado para desenvolver novas terapias que ajudem a controlar o apetite. Os cientistas ressaltam que essa abordagem segue um princípio já conhecido na medicina, que busca soluções a partir da observação de fenômenos naturais. Um exemplo são os medicamentos atuais para obesidade, que foram inspirados por substâncias encontradas em outros animais.
No caso das pítons, a habilidade de ficar meses sem se alimentar sem comprometer a saúde sugere a existência de mecanismos metabólicos ainda pouco explorados.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores enfatizam a necessidade de mais investigações para compreender como essa molécula funciona em humanos e se pode ser transformada em um medicamento seguro. A equipe também planeja explorar outras substâncias identificadas no sangue das serpentes após a alimentação, pois várias delas mostraram alterações significativas e podem desempenhar papéis importantes no metabolismo.
Para receber atualizações sobre Saúde e Ciência, inscreva-se no canal de notícias do Metrópoles pelo WhatsApp e mantenha-se informado!