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Paul McCartney compartilha o que Yoko Ono comentou após a morte de John Lennon: “Talvez ele fosse homossexual”

(Reprodução)

Em uma entrevista concedida à Vanity Fair, Paul McCartney, aos 83 anos, recordou uma conversa que teve com Yoko Ono, que atualmente tem 93 anos, logo após a perda de John Lennon (1940–1980). O ex-Beatle contou que a viúva de Lennon o contatou pouco tempo depois da tragédia, fazendo um comentário surpreendente. “Posso afirmar que ela me ligou logo após a morte de John e disse: ‘Sabe, talvez John fosse gay’”, revelou.

Antes de narrar esse episódio, Paul falou sobre sua percepção em relação a Yoko, descrevendo-a como uma pessoa artística e excêntrica, e enfatizando o profundo amor que Lennon sentia por ela. Em seguida, compartilhou sua reação ao que ela havia dito durante a ligação. “Respondi: ‘Não tenho certeza. Não acho que sim. Certamente não quando eu o conhecia’. Nos anos 60, nós saímos com muitas garotas. Eu o vi em momentos íntimos… [envolvendo-se] com diversas mulheres. Dormi com John várias vezes, mas nunca houve nada. Nenhum gesto, nenhuma expressão. Não havia indícios disso. Portanto, não tinha razões para acreditar”, explicou.

O ex-Beatle também mencionou que rumores sobre a sexualidade de Lennon começaram a circular anos antes, especialmente após uma viagem que o cantor fez com o empresário britânico Brian Epstein em 1963. “Havia especulações porque John viajou com Brian [para a Espanha em 1963]. Mas eu via isso como uma afirmação de poder, algo bem característico de John”, afirmou.

Paul acredita que Lennon encarava a situação de maneira provocativa, ciente do interesse que Epstein tinha por ele. “Brian o convidava para encontros por ser homossexual — ele era um jovem atraente que despertava a atenção de Brian. Eles viajaram para a Espanha e se divertiram. Sem dúvida, John entraria na brincadeira. Pessoalmente, não pensava que algo tivesse realmente ocorrido. Nunca soube de nada. Mas eu via isso como: ‘Querem lidar com os Beatles? Eu sou o líder’”, observou.

Durante a conversa, McCartney também destacou o envolvimento político de Lennon, recordando seu interesse por figuras históricas como Winston Churchill. “John era muito engajado politicamente. Lembrem-se, ele tinha lido as obras completas de Winston Churchill. Eles [Lennon e Yoko] tinham os livros em casa. Ele era um grande admirador de Churchill. Aliás, seu nome completo era John Winston Lennon. Portanto, John tinha um forte viés político nesse sentido. Embora não expressasse isso verbalmente, manifestava por meio de sua música”, contou.

Por fim, Paul recordou que comentou o episódio com seu amigo Robert Fraser, que ficou incomodado com a afirmação atribuída a Yoko. “Então, enfim, é isso que digo sobre Yoko ser um pouco excêntrica. Eu realmente mencionei isso para um amigo meu, Robert Fraser, que era gay, e ele ficou bastante irritado. ‘Por que alguém diria isso? Talvez um ano após sua morte, talvez. Mas as pessoas dizem coisas estranhas’”, relatou.

Quando o repórter mencionou que Yoko provavelmente estava sob forte impacto emocional naquele momento, McCartney concordou e ligou essa situação ao próprio luto que enfrentou anos mais tarde. “Eu sei. Quando perdi a Linda [McCartney, com quem fui casado de 1969 a 1998], eu também disse coisas bem estranhas. Olhando para trás, percebo: ‘Isso é o luto. É assim que lidamos com isso’”, finalizou.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade