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Conflito no Irã: especialistas alertam para riscos de inflação devido à alta do petróleo

O embate entre Irã, Estados Unidos e Israel resultou em uma disparada nos preços do petróleo no mercado internacional. No Brasil, a moeda americana também se valorizou, registrando um aumento de 2,44% na manhã desta terça-feira (3/3), alcançando R$ 5,29. Especialistas consultados pelo Metrópoles apontam para um potencial aumento da pressão inflacionária no país.

Os economistas destacam que o efeito inflacionário será influenciado por fatores como a estratégia de preços adotada pela Petrobras e a duração do conflito. Robson Gonçalves, economista e docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), observa que a Petrobras possui uma política que busca suavizar as oscilações de preços a curto prazo. Contudo, ele alerta que isso pode não ser suficiente para evitar um possível aumento nos preços dos combustíveis no Brasil.

“A combinação da alta do petróleo com a valorização do dólar torna difícil evitar algum tipo de repasse. Acredito que a Petrobras pode optar por aguardar alguns dias, ou até mesmo semanas, para verificar se haverá uma reversão nas cotações, uma vez que estão bastante voláteis”, explica Gonçalves.

Os especialistas afirmam que o aumento nos preços dos combustíveis afeta diretamente as cadeias de transporte e distribuição de mercadorias, especialmente pelo uso do diesel nos caminhões que circulam pelo país. Um professor da FIA ressalta que o Brasil, sendo um importante produtor de petróleo, tem uma certa proteção contra vulnerabilidades externas, mas destaca a necessidade de se monitorar a duração do conflito.

“Se a escalada se prolongar e o Irã responder, o risco de a pressão inflacionária se tornar significativa para o Brasil aumenta consideravelmente, especialmente se os preços do petróleo atingirem US$ 100 por barril, como alguns analistas preveem”, alerta Felisoni.

Na terça-feira, o petróleo tipo brent teve uma alta de 8%, sendo negociado a US$ 83,95, após uma valorização de 10% desde o início do conflito. No domingo (1º/3), o barril estava cotado a US$ 73. Os confrontos começaram no sábado (28/2) e a situação foi agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de mais de 20% do petróleo mundial.

Na última sexta-feira (27/2), o dólar estava cotado a R$ 5,13. A moeda americana já subiu 3,1% desde então. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunirá nos dias 17 e 18 para discutir a taxa Selic, que atualmente está em 15% ao ano. Na última reunião, o comitê havia sinalizado a possibilidade de cortes na taxa.

Diante dos impactos econômicos do conflito e das perspectivas de aumento da inflação, os economistas acreditam que a trajetória de cortes na Selic pode ser adiada. “É provável que o início da redução da taxa de juros, que estava previsto para março, seja postergado para a próxima reunião do Copom. Assim, teremos que conviver com juros elevados por mais tempo”, conclui o professor da FGV.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade