O CEO do Atlético, Pedro Daniel, reconheceu que o clube enfrenta a urgência de um investimento financeiro. Ele explicou que essa necessidade surge devido ao elevado passivo da equipe, o que resulta em encargos financeiros significativos.
“Atualmente, o Atlético consegue operar de forma sustentável. Contudo, o passivo elevado é um desafio. No Brasil, enfrentamos uma taxa de juros alta, como a Selic, que está em 15%. No último ano, arcamos com mais de R$ 200 milhões apenas em juros”, declarou em entrevista ao GaloCast, da GaloTV.
Durante a mesma conversa, Pedro também esclareceu sobre a destinação dos recursos que serão aportados, embora não tenha revelado o valor exato. “Esse aporte é essencial para lidarmos com um passivo que impacta nossa rotina. Os fundos serão utilizados para quitar dívidas, e não para investimentos no futebol, como muitos costumam questionar”, concluiu.
Ainda em entrevista à GaloTV, Pedro Daniel destacou que o Atlético experimentou um substancial aumento em suas receitas. No entanto, ele observou que o cenário do futebol se tornou inflacionário, exigindo que os clubes sejam mais ousados no mercado.
“O clube teve um crescimento significativo em sua receita. Esperamos fechar o ano de 2025 com um faturamento próximo de R$ 800 milhões. Trata-se de uma grande empresa, com receitas elevadas. O que acontece é que o futebol passou por um movimento inflacionário. Os salários estão mais altos, impulsionados, em parte, pelas novas SAFs e pelos patrocínios das apostas. Isso torna a competição mais cara. Para manter nossa competitividade, precisaremos arriscar um pouco mais”, afirmou.
Pedro Daniel foi contratado pelo Atlético no final de 2025 para assumir o cargo de CEO da SAF, sucedendo Bruno Muzzi. Ele possui experiência como consultor técnico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), onde participou da implementação do Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro (Fair Play Financeiro) e do projeto de Licenciamento de Clubes.
A relação de Pedro com a SAF do Atlético já existe há alguns anos, o que o qualificou para o cargo, uma vez que ele atuou em projetos de reestruturação, governança e estratégia vinculados ao modelo societário do clube. O administrador também liderou o Grupo de Trabalho Interministerial em Brasília, que resultou na Medida Provisória 671, estabelecendo o PROFUT, e esteve ativamente envolvido nas discussões que originaram a Lei das SAFs. Além disso, ele fez parte do quadro de consultores do Ministério do Esporte.