Nos últimos dias, o interesse pela Groenlândia, uma região autônoma vinculada ao Reino da Dinamarca, ganhou destaque na mídia. O intrigante é que, ao visualizar a Groenlândia em um mapa, ela parece ser imensamente maior, até mesmo superando a América do Sul em tamanho. Contudo, apesar de ser a maior ilha do planeta, sua extensão é de pouco mais de 2 milhões de km², um valor que se compara à soma das áreas do Amazonas e de Minas Gerais.
Especialistas consultados pelo Metrópoles esclarecem que essa percepção distorcida tem origem na projeção de Mercator, um método cartográfico amplamente utilizado em plataformas como Google Maps e em livros didáticos. Essa projeção prioriza a forma em detrimento das distâncias reais, resultando em representações exageradas — como a Groenlândia aparecendo quase do tamanho do Brasil.
O professor destaca que, embora a projeção de Mercator seja uma obra-prima técnica, ela é inequivocamente eurocêntrica, favorecendo a exibição da Europa como um continente maior e, por conseguinte, “mais poderoso” no cenário global.
Apesar de ser a maior ilha do mundo, a percepção dos especialistas sugere que a intensa disputa pelo controle da Groenlândia pode estar relacionada à distorção cartográfica, que a retrata como uma barreira colossal e quase intransponível, quando, na realidade, a situação é bem diferente.
De acordo com Bueno, essa ilusão pode ser um dos fatores que motivam o interesse dos Estados Unidos em integrar a ilha ao seu território. “O governo americano não vê a Groenlândia como uma província dinamarquesa, mas como uma proteção continental rica em recursos naturais, essenciais para a dinâmica produtiva global atual”, afirma o professor.
A rivalidade entre a Europa, que atualmente controla a área através da Dinamarca, e os Estados Unidos representa um novo capítulo na luta geopolítica por riquezas naturais em regiões raras do planeta.
Além disso, o interesse dos norte-americanos pela Groenlândia não é recente: em 1946, os EUA tentaram “comprar” a ilha e, mais recentemente, em 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump.
A Groenlândia abriga uma variedade de minerais cruciais para a indústria de semicondutores e baterias, e sua localização estratégica entre o Oceano Ártico e o Oceano Atlântico Norte é considerada vital tanto militar quanto economicamente, especialmente para os Estados Unidos, em face da crescente influência da China.
Simões acredita que o interesse pela Groenlândia é um passo significativo na “corrida pelo Ártico”, um termo que se refere à competição geopolítica pelo domínio de recursos naturais e novas rotas marítimas que estão emergindo devido às alterações climáticas.
Com o aquecimento global abrindo novos caminhos, embarcações podem agora acessar riquezas em áreas que antes eram inacessíveis. “O que ocorre no Ártico não se limita à região; suas consequências impactam o mundo inteiro, seja pelas mudanças climáticas ou pelas implicações econômicas”, conclui o também membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
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