O último dia de negociações de 2025 foi marcado por um ritmo mais calmo, característico do encerramento do ano. Nesta terça-feira (30), a moeda americana apresentou uma queda de 1,47%, cotada a R$ 5,4887. Essa movimentação consolida a perspectiva de uma desvalorização superior a 10% do dólar neste ano, o que representa o pior desempenho anual em quase dez anos. Tal trajetória reflete as expectativas de novos cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, além de preocupações com o déficit fiscal e a gestão econômica sob o governo de Donald Trump.
Em contrapartida, o Ibovespa abriu o último pregão do ano em alta e manteve essa tendência na última hora de negociação. A bolsa deve fechar 2025 com uma valorização superior a 33%, sendo o maior ganho anual desde 2016, mesmo diante dos juros no patamar mais elevado dos últimos 20 anos. Esse desempenho é impulsionado pela expectativa de cortes de juros nos EUA e no Brasil, pela realocação de investimentos em favor de ativos brasileiros, pela resiliência do país nas tensões comerciais com os EUA e pela percepção de que as ações brasileiras ainda estão abaixo dos níveis pré-pandemia.
Neste dia específico, os investidores estavam atentos à divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, além de indicadores do mercado de trabalho no Brasil. A ata revelou que os membros do BC dos EUA concordaram em reduzir a taxa básica após um debate detalhado sobre os riscos enfrentados pela economia americana. A maioria dos participantes apoiou a redução, acreditando que isso ajudaria a estabilizar o mercado de trabalho, embora muitos expressassem preocupações em relação à lentidão da inflação em direção à meta de 2% estabelecida pelo comitê.
As projeções atuais indicam que o mercado financeiro espera apenas mais um corte em 2026, com o Fed provavelmente aguardando novos dados que demonstrem uma queda da inflação ou um aumento do desemprego além do previsto. No cenário político e comercial, o mercado ainda reflete sobre o acordo entre EUA e Israel relacionado a produtos agrícolas e outros setores, e as críticas de Trump ao presidente do Fed, Jerome Powell, que ele classificou como “extremamente incompetente”.
No Brasil, o foco está nos dados do mercado de trabalho. O IBGE reportou que a taxa de desemprego caiu para 5,2% em novembro, o menor nível desde o início da série histórica em 2012. Também foi registrado um recorde no número de pessoas empregadas e na quantidade de trabalhadores com carteira assinada. O Ministério do Trabalho divulgou o Caged de novembro, apontando a criação de 85,9 mil empregos formais, o que representa uma queda de 19,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram criadas aproximadamente 106,1 mil vagas.
Entre os indicadores econômicos, os investidores permanecem atentos às contas públicas, após o governo central registrar um déficit de R$ 20,2 bilhões em novembro, superando as expectativas do mercado.