Nos últimos dias do ano, diversas regiões do Brasil têm enfrentado um calor intenso, com temperaturas superando os 40°C. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já emitiu um alerta vermelho de onda de calor para estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Esse bloqueio atmosférico que mantém o ar quente afeta não apenas os seres humanos, mas também os animais de estimação, como cães e gatos, que podem sofrer com o calor extremo. Essa situação pede uma atenção especial por parte dos tutores para evitar problemas de saúde e até tragédias com os pets. Confira algumas orientações para cuidar dos seus animais durante essas altas temperaturas.
A veterinária Luiza Mahin, com 13 anos de experiência no Instituto Veterinário Municipal Jorge Vaitsman, localizado na Mangueira, Rio de Janeiro, alerta: “Após às 9h e 10h, a temperatura já se torna bastante elevada. Os passeios devem ser feitos pela manhã, bem cedo, entre 6h e 8h no máximo.” Já o veterinário Alexandre Antônio, formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), sugere: “É preferível evitar os passeios entre 9h e 17h, quando o calor é mais intenso. Os horários recomendados são antes das 8h ou após as 19h.”
Manter os animais em ambientes frescos e oferecer alimentos mais refrigerados é fundamental. “Você pode oferecer frutas congeladas, como melancia ou banana, picadas. Também é possível fazer cubos de gelo com sachês de ração ou frango desfiado”, sugere Luiza. Alexandre recomenda a utilização de tapetes higiênicos congelados e toalhas espalhadas pela casa, ou sob a cama dos pets, para que eles possam se refrescar. Luiza também menciona as opções de tapetes refrigerantes disponíveis em pet shops e a aplicação de panos umedecidos com água fria nas axilas e na região inguinal dos animais.
Alexandre alerta sobre um erro comum entre os tutores: “Nunca deixe o animal dentro do carro, mesmo que por pouco tempo. Já testemunhei muitas tragédias por causa desse descuido. Em apenas cinco a dez minutos dentro do veículo, o animal pode sofrer de hipertermia e desidratação severa, o que pode levar ao óbito.” Diferente dos humanos, que transpiram pelo corpo, cães e gatos possuem mecanismos distintos para regular a temperatura, tornando-os mais suscetíveis ao calor.
Durante os meses de dezembro a fevereiro, os veterinários frequentemente atendem casos de hipertermia, especialmente entre animais de pequeno porte e os braquicefálicos, que têm focinhos achatados. As raças mais afetadas incluem yorkshire, pinscher, shih-tzu, bulldog, american pit bull e bulldog francês, enquanto entre os gatos, os persas são os mais vulneráveis. Alexandre também menciona que cães grandes e peludos, como golden retriever, samoieda e são-bernardo, precisam de atenção especial e não devem ser levados para passeios em horários de calor intenso.
Luiza observa que os animais chegam ao consultório ofegantes e com dificuldade para respirar. “As línguas podem apresentar um tom arroxeado devido à dificuldade respiratória”, explica. É importante estar atento a sinais como esses, pois podem ser indicativos de uma condição grave. Antônio enfatiza: “Esses sinais nunca devem ser ignorados, pois podem levar à morte do animal. Muitas vezes, os tutores confundem com um simples desconforto do calor e acabam não tomando as devidas precauções. Ignorar esses sintomas pode ser fatal em questão de minutos.”
Luiza reforça a necessidade de agir rapidamente: “Se você notar que seu animal está apresentando dificuldade respiratória, com a língua arroxeada, dificuldades para se mover ou exaustão, isso pode ser um sinal de hipertermia. O ideal é procurar imediatamente uma clínica veterinária para um atendimento adequado.”